Desde o início do meu mandato que assumi como prioridade a articulação entre os níveis de decisão europeu, nacional e regional, para que a distância geográfica de Bruxelas não signifique alheamento ou desconhecimento do que se passa na nossa Região, e vice-versa. Por isso, esta semana reunimos deputados regionais, nacionais e europeus para coordenar a nossa ação e propor soluções no âmbito do futuro quadro financeiro plurianual em áreas tão importantes como a coesão, os transportes, a agricultura, as pescas e o desenvolvimento regional. Com o líder do PS/Açores, Francisco César, mantivemos importantes reuniões quer com o Vice-Presidente da Comissão Europeia quer ainda com o Comissário das Pescas.
Passar das Palavras aos Atos
No debate sobre o próximo Quadro Financeiro Plurianual, as Regiões Ultraperiféricas não podem ser tratadas como uma nota de rodapé. Se a União Europeia leva a sério a coesão e o desenvolvimento, tem de “colocar dinheiro onde coloca as palavras”. Foi isso que defendemos ao exigir, no relatório intercalar do Parlamento sobre o futuro orçamento comunitário, rubricas orçamentais próprias e de montantes reforçados para as RUP e a proteção integral do POSEI. Esse relatório é uma peça-chave no processo negocial desse orçamento e, por isso, quer enquanto eurodeputados socialistas, quer em conjunto com outras forças políticas, estamos a trabalhar em todas as Comissões e a todos os níveis para garantir que as verbas comunitárias ao serviço dos Açores e da Madeira sejam mais relevantes do que as previstas na proposta inicial. A Aliança pelas RUP avança e consolida-se.
Trazer a Europa aos Açores
É também por isso que a preparação das visitas, em 2026, das Comissões da Agricultura e das Pescas do Parlamento Europeu aos Açores é politicamente tão relevante. Estas missões, que resultam de propostas que formulei no ano passado em duas das Comissões de que faço parte, são uma oportunidade importante para garantir que quem decide em Bruxelas conhece no terreno a realidade dos Açores. Só com contacto direto com agricultores, pescadores e comunidades locais é possível tomar decisões europeias informadas e justas. Em maio e junho, cá estarão, e espero que produzam bons frutos.
Espécies sensíveis e invasoras
Também esta semana, a Comissão das Pescas aprovou, por amplo consenso, o meu relatório sobre a proteção de espécies marinhas sensíveis e o combate às espécies invasoras. Nos Açores, como um pouco por toda a União Europeia, a proliferação de espécies invasoras, acelerada pelas alterações climáticas, tem impactos diretos no rendimento dos pescadores, na pequena pesca e na economia costeira. A resposta europeia que defendo tem de combinar ciência, gestão responsável e apoio concreto às comunidades piscatórias, usando plenamente os instrumentos da Política Comum das Pescas e do orçamento europeu.
Nato, Segurança e o Papel da Europa
Na Comissão de Segurança e Defesa do Parlamento Europeu, assisti com preocupação à atuação do secretário-geral da NATO, Mark Rutte. Num contexto de instabilidade internacional e de pressão sobre a Europa, a Aliança precisa de liderança e de clareza estratégica, e não de ter no seu secretário-geral um porta-voz exclusivo de Trump. A credibilidade da NATO depende da defesa equilibrada dos interesses de todos os aliados, incluindo os europeus.
Ainda a SATA
O resultado conhecido esta semana só pode “surpreender” os incautos, os alheados ou os impreparados — e isso, em si mesmo, já diz tudo.
André Franqueira Rodrigues
Deputado do PS/Açores no Parlamento Europeu