Opinião

A Graciosa não pode continuar à espera

A exportação de gado vivo da ilha Graciosa tornou-se, há demasiado tempo, um problema sem solução à vista. Os produtores continuam a investir e a garantir a qualidade da carne, enquanto o escoamento do seu trabalho permanece refém da falta de respostas eficazes por parte daquilo que a Secretária Regional chama, com alguma piada, de “novo modelo de transportes”, porque, afinal, de novo pouco tem, a não ser mais escalas, mas menos eficiência e menos previsibilidade.

Se é verdade, como é referido, que existem mais escalas dos navios da cabotagem insular, não deixa de ser verdade que também aumentaram as dificuldades, de forma incompreensível. É ver navios a passear contentores, muitos deles vazios, e o gado bovino a ficar em terra.

O resultado é simples e preocupante: prejuízos acumulados, incerteza permanente e um sentimento crescente de abandono.

Numa ilha onde a agropecuária é um dos principais pilares da economia, não é aceitável que a exportação de gado vivo continue dependente de soluções improvisadas e irregulares.

O Governo tem de resolver de imediato este problema de descoordenação, como é sua obrigação, porque, numa economia de pequena dimensão como a da Graciosa, esta contingência fragiliza as explorações e compromete a sustentabilidade do setor.

O problema não é novo, mas o que mais preocupa é a ausência de soluções. A Graciosa não pode continuar a ser tratada desta maneira.

Persistir nesta permanente incerteza é, na prática, aceitar o declínio gradual da produção pecuária na ilha, um erro grave, cujas consequências se fariam sentir muito para além do setor agrícola.

Os Graciosenses merecem respostas, merecem respeito e merecem igualdade de tratamento.