Opinião

Unir ou dividir

A vitória de António José Seguro na 1.ª volta das eleições presidenciais é muito mais do que um resultado político. É um momento de esperança. É a prova de que a maioria dos eleitores disse não à agressividade e à política do medo, escolhendo acreditar que a política pode (e deve!) ser feita com serenidade, decência e profundo sentido de Estado.

Seguro é, antes de tudo, um democrata. Não interessa se é de esquerda ou de direita. É alguém que não quer exercer o mandato contra ninguém, mas unir os portugueses. Alguém que respeita as diferenças e as opções dos cidadãos, garantindo que somos todos iguais em direitos e deveres perante a lei e perante o país.

Não é candidato de nenhum partido, apesar de contar com o apoio de vários, entre os quais o PS, para além do apoio de personalidades da direita, do centro e da esquerda.

Do outro lado está uma visão profundamente diferente: uma candidatura assente no populismo, na provocação constante e na exploração do medo e da divisão. Uma postura que fragiliza a democracia, desacredita a justiça e normaliza o ataque às regras que garantem a liberdade e a dignidade de todos.

As eleições abriram um caminho claro. Não estamos perante uma divergência menor, mas perante a escolha entre 2 projetos opostos. Queremos um país unido ou fraturado? Governado pelo diálogo e pelas regras democráticas ou refém do confronto e da desvalorização das instituições?

É estranha a postura de dirigentes do PSD como Montenegro, Bolieiro ou Albuquerque, ignorando que o objetivo da candidatura de Ventura é destruir o PSD e liderar a direita. Basta-lhe atingir 40 a 45% dos votos para se afirmar como líder do único bloco político de direita.

A propósito, lembro uma máxima de origem alemã, do pós-guerra, sobre a indiferença e os silêncios cúmplices que aqui se aplica, numa versão adaptada: “Se 9 pessoas se sentam à mesa com um radical de extrema-direita e não se levantam, então há 10 radicais sentados à mesa”. O silêncio abre caminho ao fim da moderação e ao triunfo do radicalismo. Será mesmo isto que queremos para Portugal?

Numa mesa onde se normaliza o radicalismo, ficar sentado é consentir. Quando a democracia está em risco, a única posição digna é levantar-se e fazer a escolha certa