Opinião

Entre a Ambição e a Execução

No passado dia 30 de dezembro, realizou-se a 5ª Sessão Ordinária da Assembleia Municipal da Horta, onde entre outros assuntos, foram votadas as Grandes Opções do Plano e Atividades Mais Relevantes do Município da Horta, para o ano 2026.

Em linha com a posição anteriormente tomada pela Vereação do Partido Socialista, em reunião de Câmara, também os deputados municipais do PS optaram pela abstenção neste ponto, de enorme relevância, para o ano que agora se inicia com impacto direto na vida de todos os faialenses.

Talvez importe salientar que o nosso sentido de voto não tem por base qualquer tipo de “partidarite aguda”, mas sim a nossa profunda convicção de que este documento nos suscita sérias dúvidas quanto à real capacidade de execução, por parte do atual executivo, na medida em que as medidas anunciadas dependem na sua larga maioria de fatores externos à autarquia. Aliás, e se duvidas houvesse, a Revisão Orçamental nº 2 ao Orçamento da Receita e Despesa do ano de 2025, bem como a revisão nº 2 às Grandes Opções do Plano do ano de 2025, no montante aproximado de 6 Milhões de Euros, aprovadas por maioria na mesma Assembleia Municipal, com o voto contra do Partido Socialista, dão bem nota da dificuldade existente em executar os Fundos Comunitários, colocados à disposição do município, ao abrigo do PRR e do Açores 2030. Na prática, o que esta revisão significa é que a autarquia não foi capaz de executar 20% do orçamento de 2025, mas insiste no erro de inflacionar o orçamento para 2026, com verbas que só lhe serão atribuídas, mediante obra feita.  

Por outro lado, não é possível esquecermos as muitas promessas que ficaram por cumprir no mandato anterior, e que transitam para este novo ano, enquadradas num conjunto de intenções, totalmente à margem de uma base sólida de sustentação.

Neste contexto, e pese embora reconhecendo a inclusão de algumas das medidas por nós propostas em sede de audição dos partidos de oposição, nomeadamente a revisão do serviço de Minibus e a implementação da sua gratuitidade para os jovens, a revisão do regulamento de apoio ao associativismo e a reativação do orçamento participativo, muitas seriam as razões para que o Partido Socialista votasse contra as Grandes Opções do Plano e Atividades para o ano 2026.

Conquanto, a democracia exige responsabilidade, exige compromisso e exige acima de tudo tranquilidade para que quem foi democraticamente eleito, governe e execute as propostas que foram legitimamente sufragadas pela larga maioria dos faialenses.  

Depois de um processo autárquico longo e exigente, em que os resultados foram claros, continuaremos a defender os nossos eleitores e a justificar a responsabilidade que em nós foi depositada. O ano de 2025 mostrou bem a importância de uma oposição atenta, responsável e orientada para soluções, e é nesse caminho que prosseguiremos. Assumimos desde o início uma postura construtiva, rigorosa e leal ao interesse público e manteremos esse compromisso, cientes do passado, mas focados no muito que ainda podemos melhorar, porque estar na política deve ser um exercício de serviço à comunidade, com os olhos postos no futuro e na capacidade de o tornar melhor. Que 2026 seja um ano de trabalho, de oportunidades bem aproveitadas e de respostas à altura dos desafios que o Faial enfrenta, com votos de um bom ano para todas e todos.