O ano de 2025 ficará como um momento singular na história recente dos Açores. Nunca a Região dispôs de tantos fundos comunitários, de receitas fiscais tão elevadas e de um volume tão expressivo de entradas de passageiros associados ao turismo. Estavam reunidas condições únicas para consolidar um novo modelo de desenvolvimento económico e social. Ainda assim, essa oportunidade foi desperdiçada pelo atual Governo Regional.
Apesar do discurso oficial triunfalista, os sinais de fragilidade são evidentes quando se analisam as variáveis e os indicadores que realmente medem a consolidação do destino e o impacto da tomada, ou não, de medidas públicas para o sector. Disso são exemplos visíveis as quebras consecutivas no número de hóspedes e de dormidas, nos últimos três meses, em especial na hotelaria tradicional, que já se estendem ao número de hóspedes estrangeiros, em contraste com a evolução positiva do país e, de forma mais expressiva, da Madeira.
Esta divergência não acontece por acaso. Resulta de uma governação sem visão estratégica, incapaz de assegurar acessibilidades consistentes, de investir de forma séria na promoção externa e de garantir estabilidade ao principal instrumento de ligação da Região ao exterior. Sem acessibilidades, não há turismo. A saída da Ryanair, a incerteza permanente em torno da SATA e a falta de um plano credível para o transporte aéreo fragilizam o destino e condicionam as perspetivas de quem cá vive, trabalha e investe.
Neste contexto, há que questionar: como está a ser promovido o destino Açores no meio de tantas incertezas? O que melhorou com a entrada do Governo na VISIT AZORES? Que confiança pode ter quem investe, quem trabalha e quem escolhe a Região para visitar? Menos voos e promoção errática e a destempo significam menos visitantes e estadias mais curtas, com impacto direto no rendimento das famílias e na sustentabilidade das nossas empresas.
Ao mesmo tempo, acumulam-se problemas estruturais que o Governo insiste em desvalorizar. 2026 tem de marcar uma mudança de rumo. O turismo é importante, mas não pode ser um fim em si mesmo, nem o Alfa e Ómega de um modelo de desenvolvimento para uns Açores competitivos. A Região precisa de uma economia mais diversificada, baseada na qualificação, na inovação, na criação de valor acrescentado e na criação de emprego estável e mais bem remunerado. Só assim será possível garantir desenvolvimento sustentável e devolver confiança aos açorianos no futuro da sua terra.