Cinquenta anos depois da nossa Autonomia parece-me impensável não sentir orgulho no caminho que percorremos. Em meio século, passámos de uma periferia esquecida a uma Região com governo próprio, parlamento, universidades, hospitais e muitas outras infraestruturas que permitiram que nos organizássemos melhor enquanto sociedade.
Construíram‑se estradas, portos, aeroportos e até um serviço regional de saúde. Temos uma universidade, investimos em escolas, museus e bibliotecas, abrimos o mar ao turismo e à ciência. Nunca tantos açorianos estudaram tanto nem viajaram tanto. Soubemos, também, assumir a diáspora como parte da nossa estratégia de afirmação global, criando estruturas para dialogar com quem partiu e recebeu quem chegou.
Comemorar estes cinquenta anos não deve servir apenas para recordar datas ou para valorizar os intervenientes – que naturalmente é importante! Mas, julgo ser igualmente importante valorizarmos tudo o que fomos construindo enquanto povo e sobretudo projetarmos o futuro enquanto sociedade.
Que desafios temos pela frente? Por um lado, temos uma população que envelhece, por outro, jovens que que não conseguem comprar casa. Temos uma economia que precisa naturalmente de ser aberta ao mundo, mas um arquipélago, que também por isso, fica facilmente exposto às circunstâncias da distância.
Para além de outras coisas, os próximos cinquenta anos exigem que unamos as ilhas para além dos cabos submarinos: com solidariedade. Que saibamos proteger a natureza sem sacrificar o desenvolvimento, que criemos empregos que prendam talento e que cuidemos de quem está longe sem esquecer quem cá vive.
A Autonomia mostrou que somos capazes de traçar o nosso destino; agora é altura de provar que também sabemos reinventá‑lo. Só desejo que este meio século seja inspiração para o próximo. Saibamos todos estar à altura do desafio.
(Crónica escrita para Rádio)