Se é certo que há organismos que apenas existem no papel, outros há que, quando levados a sério, podem com relativa facilidade, mudar a vida de uma comunidade. O Conselho de Ilha do Faial enquadra-se nesta segunda categoria, ou, pelo menos, assim deveria ser. Este conselho não é apenas mais uma estrutura consultiva, mas a voz política e cívica de uma ilha inteira, uma instância legítima de pressão junto do poder regional, criada para defender interesses específicos e inadiáveis de todos os faialenses.
Mas a força dessa voz depende, antes de tudo, da sua independência. Um Conselho de Ilha não pode ser uma extensão de agendas partidárias, nem um palco de alinhamentos rígidos. Pelo contrário, se o objetivo principal deste órgão é o de ser tão respeitado quanto útil, tem obrigatoriamente de ser o mais isento possível, livre para dizer o que é preciso, quando é preciso e a quem for preciso. Só desta forma se consegue assumir posições críticas, firmes e credíveis, sem medo de desagradar e sem hesitações que podem eventualmente vir a custar caro ao futuro da nossa ilha.
O Conselho de Ilha do Faial integra a autarquia, representantes da economia, sindicatos, associações, instituições de solidariedade social, universidade e sociedade civil. E é nesta diversidade que está a sua maior riqueza e o seu maior escudo. Essa credibilidade nasce também da sua pluralidade, que impede visões redutoras, evita a captura por interesses únicos e dá legitimidade às posições assumidas. Quando o Conselho fala, não fala apenas em nome de um grupo, mas antes em nome de todo um território e da sua comunidade.
Cabe a este órgão o dever de pronúncia por sua própria iniciativa, ao invés de se limitar a reagir ao que vem de fora, como se estivesse sempre atrasado em relação aos problemas. Para tal, é fundamental que haja capacidade de se antecipar, de alertar e de trabalhar no sentido de propor soluções, isto é, de olhar para os riscos antes de eles se tornarem inevitáveis. A própria autonomia assim o exige e assim se concretiza: com voz, com vigilância, com propositura.
Mas a intervenção do Conselho de Ilha não pode, ou pelo menos não deve, ficar fechada numa sala, mas sim dar espaço ao debate público, com pedagogia cívica, com transparência e com o envolvimento dos cidadãos. É exatamente por isso que as reuniões são públicas, por se considerar ser esta uma condição indispensável para o efetivo reforço da democracia, sendo fundamental a divulgação prévia da agenda das reuniões deste órgão, permitindo assim a participação real de todos os faialenses, aproximando-os daquilo que é deles por direito.
E depois há o essencial, que é o respeito institucional, que pelo menos no último ano e meio, muito tem deixado a desejar. A postura do Governo Regional perante o Conselho de Ilha do Faial tem sido, no mínimo, preocupante. A ausência de respostas a sucessivos pedidos de reunião fragiliza o diálogo e desvaloriza a autonomia política da ilha. Mais grave: nos últimos cinco anos não houve qualquer visita estatutária ao Faial. Não houve reunião formal entre Governo e Conselho de Ilha e isto, doa a quem doer, não é um detalhe burocrático, mas sim um inequívoco sinal político.
Reforçar o Conselho de Ilha é reforçar a democracia regional. Um Conselho forte, independente, plural e ouvido não é um luxo, mas sim uma condição para que o Faial não seja apenas um ponto no mapa, mas uma prioridade com voz e dignidade. A autonomia não se pede em silêncio, exige-se com firmeza e constrói-se com todos.