Opinião

Contradições

Onze membros do Governo, 89 direções regionais, estruturas de missão ou equiparados e 83 membros de gabinetes. A atual administração política é a maior e a mais pesada da Autonomia. Ao todo, são 184 nomeações que comparam, por exemplo, com as 145 do último governo socialista. É curioso ver como estão mudos e quedos aqueles que, antes, protestavam ruidosamente contra o “excesso” de nomeações na administração regional. Para vários dirigentes políticos e articulistas, hoje é normal e pacífico o que ontem era uma “vergonha” e um “escândalo”. Há uma gritante ausência de critérios no escrutínio que se faz da atividade pública regional. Esta ausência de critérios objetivos e mensuráveis, não contribui para a transparência e para o aumento da confiança nas instituições e gera a perceção – certa ou errada – de que o interesse público é, por vezes, subalternizado por interesses instalados e preferências particulares. No confronto entre a objetividade e a subjetividade, a pequena dimensão territorial e demográfica, tende a influir em favor desta última. Ortega Y Gasset bem avisava: “podemos pretender ser quanto queiramos, mas não é lícito fingir que somos o que não somos”.