Há centralistas assumidos e centralistas oportunistas. Os primeiros são coerentes; os segundos vêm aos Açores prometer apoios e, quando regressam a Lisboa, esquecem a palavra dada. Este Governo pertence à segunda categoria.
Promete com estrondo. Quando chega a hora de cumprir, aparece uma plataforma avariada ou um serviço a quem passar a culpa. A fatura é dos cidadãos e, nos Açores, de quem está longe das decisões e perto das consequências.
Veja-se o Mecanismo de Continuidade Territorial. A lei está em vigor, mas a plataforma apenas ontem foi, a custo, parcialmente adaptada. Agora, o Ministro das Infraestruturas culpa a eSPap, como se esta não fosse um instituto público integrado na Administração do Estado e sujeito a tutela governamental.
Com os agricultores açorianos, nem sequer foi necessária uma plataforma. Bastou deixar as promessas suspensas. Continuam por pagar os 23 milhões de euros inscritos no Orçamento do Estado e os 3 milhões de apoio aos custos dos combustíveis e fertilizantes.
Garantiram o pagamento. O PS assegurou, no Orçamento do Estado, a inscrição de uma dotação extraordinária para isso. O dinheiro está previsto e a palavra foi dada. Falta cumprir.
O Ministro da Agricultura acusa o PS de “politiquice”. Engana-se. Politiquice é prometer nos Açores e esquecer em Lisboa, anunciar apoios sem os pagar e atacar quem exige resultados.
Também o silêncio do Presidente do Governo Regional é ensurdecedor. Quem deveria defender os Açores cala-se, como se a lealdade partidária valesse mais do que os açorianos.
Na mobilidade e na agricultura, o padrão é o mesmo: o Governo anuncia, executa mal, culpa os serviços e pede paciência. Os Açores não precisam de mais anúncios nem de mais desculpas.
Post scriptum: Como se o Governo quisesse confirmar o argumento, surge mais uma plataforma. Na correção digital dos exames nacionais, generalizou-se um sistema sem garantir que estava preparado. Confundiu-se modernização com propaganda. Pelo meio, fica toda a comunidade educativa a suportar as asneiras que o Estado deveria evitar. É um Governo de promessas, de plataformas e de desculpas.