Opinião

SATA “Madeira Airlines”

Bem sei que juntar “SATA” e “Madeira” na mesma frase pode gerar alguma confusão e, em alguns casos, apreensão, mas o objetivo é mesmo alertar para os mais recentes acontecimentos que dizem respeito à nossa companhia área.

Através dos órgãos de comunicação social – e não através do Governo que diz dialogante e transparente - descobrimos que a SATA, a “nossa SATA”, vai passar a assegurar em plena época baixa (Inverno IATA), duas ligações semanais diretas, entre o Funchal e Nova Iorque.

Por um lado, deve ser motivo de orgulho vermos a SATA, com aviões modernos e eficientes, a voar para destinos tão procurados como Nova Iorque, confirmando o potencial da companhia aérea, de que tantos duvidaram. É também relevante verificar o dinamismo da administração da empresa, na procura de novas rotas, novos mercados e de negócios que possam gerar fluxos financeiros e rentabilidade para a SATA, sobretudo no contexto exigente em que vivemos.

No entanto, por outro lado, é legitima a estupefação que passa pela cabeça dos Açorianos, sejam eles empresários do turismo ou apenas viajantes, quando veem a sua companhia aérea, de capitais 100% regionais, a voar para Nova Iorque a partir do Funchal e não a partir de Ponta Delgada, Terceira, Pico, Faial ou Santa Maria.

Bem sei que o Governo Regional dos Açores está mais preocupado com a sua sobrevivência política do que em governar a Região, mas já é demasiado constrangedor tanto desnorte e incompetência.

Será que não faz falta ao turismo dos Açores captar fluxos turísticos de Nova Iorque, em plena época baixa? Não foram os Empresários do Turismo, as Câmaras de Comércio e a Associação de Turismo dos Açores que definiram os EUA como um mercado preferencial ao nível turístico?

Se a Região Autónoma da Madeira considera atrativo e viável pagar à SATA para voar entre o Funchal e Nova Iorque, nos meses de novembro e dezembro, não é possível aplicar o mesmo raciocínio para os Açores? Que estratégia temos para o turismo nos Açores?

É que já temos a vantagem de ter uma companhia aérea, a SATA!

Só falta mesmo termos um Governo Regional dos Açores proativo, com um projeto e uma estratégia de desenvolvimento da Região e que comece a governar em prol de todos os Açorianos e não apenas em função de interesses ocultos e duvidosos.