Opinião

De Escola do Mar a escola de Polícia?

A Escola do Mar dos Açores (EMA), localizada na cidade na Horta, representou um investimento de cerca de 7,2 milhões de euros, e foi inaugurada em julho de 2020. No dia da referida inauguração, a 30 de julho de 2020, que contou com a honrosa presença do Ministro do Mar, Ricardo Serrão Santos, foi salientada pelo Presidente Vasco Cordeiro a preponderância que se vislumbrava para tão importante investimento. Referiu o Presidente do Governo Regional, à data, que “a Escola do Mar tem a ambição de, a partir da ilha do Faial, se constituir como uma referência nacional e internacional na formação de profissões ligadas a esta área.” Reiterando, em seguida, que “a EMA é uma aposta que valoriza também o país, ao criar condições acrescidas para o reforço da oferta de oportunidades de qualificação numa área de importância emergente a nível europeu e mundial, como é o Mar.” E prosseguiu referindo que “esta é uma escola moderna, funcional, equipada com diversas valências e concebida para desenvolver uma formação de excelência, a qual arranca já no próximo ano letivo, ou seja, ainda neste ano civil. Mas, se é certo que a Escola do Mar, a partir de hoje, está já em condições de cumprir a sua missão de formação e de qualificação de recursos humanos em diversas profissões ligadas ao Mar, gostaria de salientar que queremos ir mais longe. E ir mais longe, neste sentido, é adicionar a este núcleo central desta instituição, dois outros aspetos que reputo da maior importância”. Tais aspetos tinham a ver com “uma componente que colocará a formação ministrada na EMA num outro patamar de atratividade, de importância e de afirmação externa”, e o outro estava relacionado “com aquilo que a Escola do Mar pretende ser, ao nível do seu potencial de captação de formandos”, tendo sido para o efeito anunciada a recuperação dos quatro blocos de apartamentos localizados nas imediações deste edifício central, num investimento de cerca de um milhão de euros. A EMA, em síntese, nasceu para se assumir como um projeto estratégico para alavancar o denominado “crescimento azul” nos Açores. Acontece que, infelizmente, pelas múltiplas e lamentáveis noticias recentemente vindas a público, a EMA está a ser palco do pior que há na política.  Vem isto a propósito, como já devem ter percebido, da autêntica rebaldaria que o XIII Governo, através do Secretário Regional do Mar e das Pescas, instalou à volta da Escola do Mar dos Açores. Em janeiro do corrente ano, com menos de 2 meses de exercício de funções, o Senhor Secretário abriu as hostilidades públicas com uma intervenção, após visita às instalações, na qual desmerecia todo o trabalho já desenvolvido e referia “deficiências de obra” relativas à “segurança”. Isto, à data, não me cheirou bem, mas estava longe de imaginar o que viria a seguir. Uns meses mais tarde, após muito ruído e mar alteroso nos bastidores, fomos presenteados com a demissão (renúncia) do Senhor Secretário da administração da Escola do Mar, invocando falta de confiança na restante administração! Ora, importa acrescentar que a renúncia ao cargo é efetuada no dia 26 de maio e que desde março que o Senhor Secretário havia desertado das reuniões da administração da EMA. Estranho, muito estranho! Mas, a “coisa” ainda ia piorar. A missão de despejo, para ficar completa, precisava ser efetivada. Para tal foi chamada a PSP. Não, não foi em Moscovo. Foi na Horta. Açores. Portugal. E assim vai a governação…