Opinião

PSD: Medo(s) e falta(s) de confiança

I O PSD/Açores tem espalhados por aí uns cartazes, com a assinatura de José Manuel Bolieiro, onde consta a frase “SUBSTITUIR MEDO POR CONFIANÇA”. Acontece que esta espécie de máxima começou cedo a ser incumprida pelo próprio subscritor do cartaz. Então não é que Bolieiro faltou, presencialmente, à audiência com Sua Excelência o Presidente da República, a propósito da marcação da data das eleições legislativas regionais, invocando que “a atual situação da pandemia na zona de Lisboa obriga a que tenhamos todas as cautelas possíveis”; que “não se justifica fazer uma viagem a Lisboa para este efeito”; que “importa ter a máxima prudência na atual conjuntura”; e que “desde a primeira hora que defendo que mais vale ser excessivo na prudência do que negligente na ação.” Assim, tivemos o PSD/Açores representado presencialmente pelo Deputado António Ventura, sendo que Bolieiro participou por videoconferência. Esta opção, para além do óbvio desrespeito institucional para com o Presidente da República, demonstra que a pouca confiança que existia para aqueles lados esfumou-se nas letras apostas nos cartazes. A falta de comparência de Bolieiro no Palácio de Belém, aliada à realização no mesmo dia e umas horas antes de uma reunião com a direção da Associação Agrícola dos Açores, não só qualifica a liderança de Bolieiro, como principalmente desqualifica uma parte do Povo Açoriano. Só uma parte? Sim, e cada vez mais pequena. Pois acredito que a grande maioria se reviu no Presidente do PS/Açores e Presidente do Governo, Vasco Cordeiro, que marcou presença em Belém. Sem medo. Com coragem. Com confiança. E, acima de tudo, com um imenso orgulho! II O PSD nacional, sob a liderança do Deputado Rui Rio, apostou há muito em mudar o paradigma de funcionamento do Parlamento. Para muito pior, acrescento eu. Recentemente, assisti, incrédulo, a um raciocínio de Rui Rio em defesa da alteração preconizada para a periodicidade (quinzenal) dos debates com o Primeiro-Ministro no qual, a certa altura, dizia ele o seguinte: “O primeiro-ministro não pode passar a vida em debates quinzenais. Tem é de trabalhar.” Ora, como seria expetável, a tirada acima transcrita mereceu contundentes críticas, o que originou uma réplica de Rui Rio nos seguintes termos: “Estes debates, em que todos procuram criar incidentes, que desgastam a imagem da Assembleia da República, do primeiro-ministro e dos grupos parlamentares, melhoram a democracia? Não me parece que tragam qualquer dignidade.” Em jeito de tréplica, cumpre-me referir que a dignidade não está no formato ou periodicidade dos debates, mas sim nos protagonistas. E a verdade é que esta concretizada pretensão de Rui Rio (debates apenas de 2 em e meses!) mais não é do que uma inequívoca demonstração de medo do regular confronto parlamentar com o Primeiro-Ministro e, principalmente, uma tremenda falta de confiança nos argumentos e posições defendidas por este PSD. Por fim, resta-me lamentar que o PS, em vez de se opor frontalmente ao fim dos debates quinzenais – que até faziam parte do seu património político-parlamentar! – tenha enveredado maioritariamente (houve 28 votos contra) pelo caminho do incentivo à seguinte máxima de Napoleão: “Nunca interrompa o seu adversário quando ele estiver a cometer um erro”. Mas há erros e erros…