O vice-presidente do Grupo Parlamentar do PS/Açores, Russell Sousa, defendeu hoje a necessidade de a Região dar uma resposta concreta ao aumento dos custos suportados pelos estudantes açorianos deslocados, estejam eles a estudar noutra ilha dos Açores, na Madeira ou no continente português.
A posição foi assumida no âmbito de uma reunião com a Associação Académica da Universidade dos Açores, destinada a avaliar o impacto do aumento do custo de vida, a evolução dos pedidos de apoio por parte dos estudantes e a dimensão do problema do alojamento.
Para responder a esta realidade, o Grupo Parlamentar do PS/Açores apresentou a proposta de criação do Complemento Regional de Alojamento Estudantil, destinado aos estudantes açorianos a residir fora da sua localidade para prosseguir estudos no ensino superior.
O deputado socialista salientou que o aumento dos preços do alojamento acompanha os estudantes açorianos para onde quer que se desloquem. “No início deste ano letivo, um quarto custa, em média, cerca de 550 euros por mês em Lisboa, 430 euros no Porto e em Ponta Delgada ultrapassa os 300 euros. Isto para uma família com crédito à habitação, torna-se uma situação incomportável, são famílias a pagar duas rendas.”
Russell Sousa destacou, também, que, além do alojamento, os estudantes deslocados têm de suportar despesas com alimentação, transportes, materiais académicos e viagens para os Açores. “Uma família açoriana pode ter de pagar 500 ou 550 euros por um quarto em Lisboa, mais a alimentação, os transportes, as propinas, os materiais e as viagens. Quando somamos todas estas despesas, percebemos o enorme esforço financeiro exigido às famílias para que um jovem possa simplesmente estudar e investir no seu futuro”, afirmou.
A proposta prevê um apoio mensal entre os 43 e os 81 euros, consoante o rendimento do agregado familiar, durante um máximo de dez meses por ano letivo.
O deputado sublinhou que a proposta abrange os estudantes açorianos que saem da Região para estudar no continente, aqueles que se deslocam entre ilhas e também os casos em que a distância, o tempo de viagem ou a falta de transportes obrigam um estudante a residir noutra localidade dentro da própria ilha.
Russell Sousa concluiu afirmando que “o alojamento estudantil tornou-se um problema transversal, que atinge estudantes com diferentes situações económicas e pode condicionar a escolha do curso, o aproveitamento académico e até mesmo a permanência no ensino superior e o Governo Regional tem de dar respostas a estes alunos e às suas famílias quando efetivamente mais precisam.”
Ponta Delgada, 30 de setembro de 2026