Eurodeputado socialista é o único português presente na 91.ª Reunião Interparlamentar entre o Parlamento Europeu e o Congresso dos Estados Unidos, que decorre em Nicósia, nos dias 19 e 20 de junho.
O eurodeputado socialista André Franqueira Rodrigues participa, nos dias 19 e 20 de junho, em Nicósia, Chipre, na 91.ª Reunião Interparlamentar entre o Parlamento Europeu e o Congresso dos Estados Unidos, no quadro do Diálogo Transatlântico de Legisladores.
A reunião decorre num momento particularmente exigente para a relação entre a União Europeia e os Estados Unidos: poucos dias depois da aprovação, pelo Parlamento Europeu, do Acordo comercial UE-EUA, num contexto marcado pela guerra na Ucrânia, pelos passos importantes dados para o fim do conflito entre os Estados Unidos e o Irão, pela disputa global por minerais críticos e pelo aumento das campanhas de desinformação contra as democracias ocidentais.
Para André Franqueira Rodrigues, “a parceria transatlântica não pode ser apenas uma memória histórica: tem de ser uma ferramenta política para responder aos desafios do presente”.
“Num tempo de guerra, pressão económica, instabilidade no Médio Oriente e ataques crescentes às democracias, Europa e Estados Unidos têm de falar com franqueza, mas também com sentido de responsabilidade. Não precisamos de uma relação de subalternidade. Precisamos de uma relação madura, exigente e capaz de produzir resultados”, defende o eurodeputado socialista.
A reunião acontece poucos dias depois de o Parlamento Europeu ter aprovado os dois diplomas que implementam o Acordo de Turnberry, entendimento comercial alcançado entre a União Europeia e os Estados Unidos no verão de 2025.
André Franqueira Rodrigues, que votou a favor do acordo, sublinha que “o voto do Parlamento Europeu não foi um cheque em branco”.
“O acordo aprovado não é perfeito, nem nasceu de um contexto político normal. Mas o Parlamento Europeu conseguiu introduzir limites, prazo, fiscalização e mecanismos de suspensão caso os Estados Unidos não cumpram os compromissos assumidos. A alternativa não era entre este acordo e um acordo ideal; era entre um acordo condicionado e uma escalada tarifária com custos reais para empresas, trabalhadores e produtores portugueses”, afirma.
O regulamento aprovado elimina tarifas sobre produtos industriais norte-americanos e amplia o acesso de produtos agrícolas e pesqueiros dos EUA ao mercado europeu, mas prevê também salvaguardas que permitem à União Europeia suspender concessões tarifárias em caso de incumprimento por parte de Washington. As concessões europeias vigoram até 31 de dezembro de 2029, podendo ser renovadas apenas mediante novo entendimento entre as partes.
Para o eurodeputado socialista, a reunião de Nicósia ganha ainda maior importância num momento em que a diplomacia internacional procura consolidar os sinais de desanuviamento entre os Estados Unidos e o Irão.
“Se houver uma oportunidade real para pôr fim ao conflito entre os Estados Unidos e o Irão, ela deve ser aproveitada. A Europa deve apoiar a diplomacia, a redução da tensão e a estabilidade regional. Mas deve fazê-lo com autonomia política, com memória e com uma posição clara: a paz não pode depender de impulsos, ameaças ou decisões unilaterais”, afirma André Franqueira Rodrigues.
Os trabalhos em Nicósia terão como temas centrais a governação global no século XXI, as perspetivas de paz e estabilidade no Médio Oriente, a luta contra a desinformação e a interferência estrangeira, bem como a cooperação transatlântica em matéria de minerais críticos.
Para André Franqueira Rodrigues, estes temas mostram que “a relação UE-EUA já não pode ser discutida apenas em termos comerciais”.
“O comércio é importante, mas não chega. A relação transatlântica tem hoje de responder à segurança, à energia, à tecnologia, à defesa das democracias e à proteção das nossas economias. Sem ameaças, sem subalternidade e sem ingenuidade. É isso que estará em cima da mesa em Nicósia”, acrescenta.
André Franqueira Rodrigues é membro da Delegação do Parlamento Europeu para as Relações com os Estados Unidos e será o único eurodeputado português presente nesta reunião interparlamentar.