Francisco César acusa Bolieiro de esconder a gravidade da situação financeira da Região

PS Açores - Há 5 horas

O Presidente do PS Açores, Francisco César, reagiu esta quarta-feira às declarações de José Manuel Bolieiro, acusando o Presidente do Governo Regional de tentar desvalorizar uma situação financeira que “já se faz sentir na vida das empresas, dos trabalhadores e das famílias açorianas”.

Para Francisco César, “não basta reconhecer que a situação é complexa e, ao mesmo tempo, fingir que está tudo sob controlo”, quando se multiplicam os sinais de dificuldade no pagamento de compromissos assumidos pelo Governo Regional e por empresas públicas.

“O mais preocupante é que o próprio Presidente do Governo foi reunir com o Presidente da República para pedir mais meios financeiros, mais margem e mais fundos, mas continua sem dizer aos Açorianos o que tenciona fazer, concretamente, para pôr ordem nas contas da Região”, afirmou.

O líder socialista lembra que a realidade no terreno desmente o discurso oficial. “Há pequenos empresários que fornecem escolas e não recebem desde outubro, há transportadores escolares que tiveram de protestar para conseguir o pagamento de uma fatura, há empresas da construção civil à espera de verbas em atraso e houve empresas públicas a pagar salários com atraso. Perante isto, vir dizer que está tudo bem é negar a evidência”, criticou.

Francisco César considera que o problema já não é apenas financeiro, mas também político. “O Presidente do Governo está mais preocupado em esconder a gravidade da situação do que em resolvê-la”, disse.

O Presidente do PS Açores defende que o caminho passa por escolhas claras, coragem política e definição de prioridades. “O que os Açorianos precisam de ouvir não é que está tudo bem. O que precisam de ouvir é que o Governo vai reestruturar áreas onde há descontrolo, cortar gastos supérfluos, dar o exemplo na dimensão da máquina governativa e concentrar recursos naquilo que realmente importa”, sublinhou.

Francisco César alertou ainda para o impacto que a fragilidade financeira do Governo pode ter na economia regional, numa altura em que setores estratégicos enfrentam dificuldades acrescidas. “Se o Governo não consegue cumprir a sua atividade corrente, também não terá capacidade para responder quando o ciclo económico piora. E isso tem consequências no investimento, no emprego e no rendimento das famílias”, avisou.

O líder socialista apontou, em particular, a necessidade de responder à subida dos combustíveis e de proteger os setores mais expostos. “O Governo Regional tem de garantir, desde já, que não lucra com o agravamento do preço dos combustíveis e deve devolver integralmente aos Açorianos o acréscimo de receita fiscal resultante dessa subida. Além disso, deve preparar apoios setoriais dirigidos às pescas, à agricultura e ao turismo, antes que os efeitos se agravem”, defendeu.

Francisco César lamenta também que, perante seis meses consecutivos de queda no turismo e sinais de pressão crescente sobre a economia regional, o Executivo continue sem mostrar capacidade de antecipação. “Um Governo com as contas em desordem fica de mãos atadas quando surgem novas dificuldades. É isso que está a acontecer nos Açores”, afirmou.

Para o Presidente do PS Açores, a pior resposta seria continuar a esconder o problema. “É preciso ter coragem para dizer aos Açorianos que a situação é séria. Mas, acima de tudo, é preciso ter coragem para agir. O PS Açores tem vindo a alertar para este caminho há muito tempo. Agora, a realidade está a impor-se. O que se exige ao Governo é que deixe a propaganda e comece finalmente a governar”, concluiu.