Opinião

000 sem licença para estudar

Mês e meio depois do início das aulas, existem ainda dezenas de alunos açorianos do 6.º, 7.º e 9.º anos sem manuais escolares. São autênticos agentes secretos 000, pois, pelo menos até há 15 dias, ninguém os tinha contabilizado para a aquisição de licenças. Andam pelas escolas devidamente equipados com os seus tablets, mas com os manuais fora do seu alcance. No fundo, têm a "arma", falta-lhes a "bala" e, assim sendo, são agentes ao serviço, mas sem licença para estudar.
Por vezes, na política, tal como na saga James Bond, a regra é "Vive e Deixa Morrer". Daí que a Secretária da Educação, que no início de setembro afirmava ter "a expectativa de que em outubro a situação esteja resolvida", esteja agora em silêncio e seja o Diretor Regional quem vem a público dar a má notícia de que, chegados ao fim de outubro, "são algumas dezenas [de licenças] que, efetivamente, estão em falta".
A explicação oficial dada pelo "Alvo em Movimento" é curiosa. Faltaram licenças por causa das retenções e das transferências. Como se o facto de os alunos chumbarem ou mudarem de escola fosse algo nunca antes visto, fruto de uma qualquer conspiração internacional totalmente impossível de prever.
A verdade é que a Secretaria chamou a si a compra das licenças, fez asneira e só um mês depois do arranque do ano letivo começou a corrigir o erro. Entre concursos e vistos, lá vai prometendo resolver tudo "o mais brevemente possível". Como "O Amanhã Nunca Morre", a solução fica para amanhã.
Mas calma, que o agente "Ao Serviço de Sua Majestade" garante que nenhum aluno fica prejudicado, o que gera ainda mais dúvidas. Se os manuais não fazem falta, por que razão gastou o Governo 4,9 milhões de euros a adquiri-los? E se fazem falta, como se justifica que alguns alunos estejam privados deles durante meio período?
O Governo falhou a missão, o agente 000 estuda noutro dia.