Opinião

As pescas dos Açores merecem melhores políticas e melhores pessoas no desempenho dos cargos

Na passada semana fomos brindados, neste jornal, com um artigo de opinião de um membro do conselho de administração da Lotaçor, Sr. Reinaldo Arruda, que, não se identificando como tal, faz um conjunto de ataques infundados ao Partido Socialista dos Açores.

Refere que o PS prolifera mentiras e falsidades na sua ação política, sem concretizar a que se refere. Tenta, desta forma, desviar as atenções do mal que a sua ação direta tem provocado num dos mais importantes sectores económicos da nossa Região como é o setor das pescas.

Procura transformar em "ignorância política" aquilo que, na realidade, é o exercício legítimo da oposição democrática e da fiscalização da atividade de uma empresa pública.

O Sr. Administrador da Lotaçor tem desenvolvido a sua atividade com total impunidade.

Põe e dispõe o que quer, como quer, partilha nas redes sociais institucionais da empresa notas partidárias do PSD Açores, depois de criticado diz que o continuará a fazer, sem qualquer tipo de pejo ou vergonha institucional. E pior do que isso, através das suas decisões e ação política, humilha e desmerece todas as associações e profissionais do setor e delapida um dos nossos mais importantes recursos.

Tudo isto sem que ninguém veja ou ouça o Presidente da Lotaçor, e com conivência total do Secretário das Pescas e do Presidente do Governo. Já se percebeu que é ao Sr. Administrador Reinaldo Arruda que cabe o “trabalho sujo”, dentro e fora da Lotaçor.

É, assim, importante esclarecer que as posições assumidas pelo Partido Socialista relativamente ao funcionamento da Lotaçor não resultam de especulações, invenções ou campanhas de desinformação. Resultam, isso sim, dos inúmeros contactos mantidos com armadores, pescadores, associações do

setor e com a Federação das Pescas dos Açores, que diariamente nos transmitem as suas preocupações, dificuldades e reivindicações.

É precisamente esse o nosso papel: ouvir, acompanhar e dar voz aos problemas sentidos no terreno.

Recentemente tomámos posição pública sobre as alterações impostas pela Lotaçor nos procedimentos de transporte de pescado. Isto surgiu na sequência de inúmeras queixas dos profissionais do setor, que denunciaram a falta de informação prévia, as dificuldades de adaptação e os constrangimentos criados por esta decisão.

Convém igualmente recordar que a Lotaçor apenas recuou parcialmente nesta decisão depois da intervenção do Grupo Parlamentar do Partido Socialista, que alertou publicamente para os constrangimentos criados e para as dificuldades sentidas pelos armadores e pescadores. Este recuo demonstra, desde logo, que as preocupações levantadas pelo PS eram legítimas e correspondiam à realidade vivida no terreno. Se a decisão fosse tão acertada e tão consensual como agora se pretende fazer crer, não teria sido necessário voltar atrás.

A verdade é que o atual conselho de administração da Lotaçor se tem distinguido por uma gestão distante da realidade vivida pelos profissionais da pesca. Foi assim com o aumento das taxas e dos encargos associados aos serviços prestados pela empresa. Foi assim com a implementação de novos procedimentos administrativos. E foi assim, mais recentemente, com as alterações relacionadas com o transporte de pescado.

Estas decisões têm provocado dificuldades acrescidas aos profissionais do setor, com o consentimento do Governo Regional e do membro do Governo responsável pela tutela das pescas.

Mais preocupante ainda é verificar que um administrador de uma empresa pública parece estar mais empenhado em responder à oposição política do que em resolver os problemas concretos dos pescadores.

Num setor que atravessa dificuldades profundas, aquilo de que os Açores menos precisam é de um ambiente tóxico, alimentado por ataques políticos e pela tentativa de desqualificar como “ignorância” as críticas de quem cumpre o seu

dever de fiscalizar e dar voz aos profissionais. A verdadeira ignorância política é confundir uma empresa pública com um espaço de combate partidário e encarar como adversários aqueles que questionam decisões que afetam a vida dos pescadores. As pescas dos Açores merecem mais respeito, mais diálogo e uma governação verdadeiramente concentrada em resolver os problemas do setor.

O Partido Socialista continuará a fazer aquilo que sempre fez, ouvir os pescadores, defender os seus interesses e exigir respostas sempre que estejam em causa os direitos e a sustentabilidade de uma atividade fundamental para os Açores.