Opinião

Ciência, Tecnologia e Comunicações 1996-2012 (2G)

1. A crua realidade açoriana de 2026

Infelizmente, somos ainda os piores na pobreza e exclusão social, privação material, desigualdade de rendimentos, baixos níveis de escolaridade e abandono escolar precoce, PIB per capita e produtividade e, nos salários médios. Todos os dias surgem títulos nos jornais onde estamos sempre abaixo do País. A casuística governativa e falta de rumo já não o conseguem esconder. Outrossim, as competências digitais dos Açores atingiram em 2012 muitos resultados acima da média nacional em vários indicadores de acesso e utilização da Internet. Porém, de 2021 a 2025 houve um atraso, sobretudo, nas competências digitais e na utilização de serviços digitais avançados, aparecendo os Açores no último lugar do País em vários indicadores.

1. Rede Wi-Fi das Ilhas da Coesão

O projeto Redes Wi-Fi nas ilhas da coesão (2010) foi crucial para a nossa posição, em 2012, acima da média nacional, na Sociedade da Informação e do Conhecimento nos Açores (SICA). Face ao sucesso do projeto “Corvo Ilha Digital” (2006), experiência pioneira na promoção da SICA, tornou-se necessário alargar a rede wireless a novos espaços públicos e reforçar as suas funcionalidades, ampliando a sua cobertura e os impactos económicos, sociais e ambientais. Foram instaladas redes Wi-Fi em espaços públicos das ilhas da coesão — Santa Maria, São Jorge, Graciosa e Flores — abrangendo aeroportos, praças, jardins e marinas, bem como ainda nas aerogares dos aeroportos regionais do Pico e da Terceira. A disponibilização gratuita de acesso à Internet e dos respetivos equipamentos melhorou as acessibilidades de comunicação da Região, respondeu às crescentes necessidades de mobilidade dos cidadãos e facilitou o acesso rápido e gratuito às tecnologias de informação e comunicação.

2. Ilhas abrangidas pela Rede Wi-Fi

Em regra, praças principais, marinas e aeroportos das ilhas de Santa Maria, São Jorge, Graciosa e Flores passaram a disponibilizar, desde 2010, Wi-Fi de forma gratuita. As aerogares regionais das Lajes, na Terceira, e do Pico também foram integradas neste projeto de redes Wi-Fi. Este projeto aumentou a flexibilidade, mobilidade e facilidade de acesso, reduzindo custos para os utilizadores e contribuindo para a disseminação das novas tecnologias na Região. Nos espaços públicos abrangidos, estes serviços constituíram uma nova valência, atraindo mais utilizadores e contribuindo para a sua revitalização. Em termos económicos, favoreceram os estabelecimentos comerciais envolventes; em termos sociais, permitiram o acesso às TIC a cidadãos sem condições financeiras para suportar uma ligação permanente em casa. A eliminação da infoexclusão permitiu o desenvolvimento de novos modelos de negócio e a modernização dos setores tradicionais.

PS: Não há clusters sem infraestrutura. E não há infraestrutura sem política pública continuada. Bolieiro hiperboliza o que não sabe. Arrisca-se à velha ironia: “creio que a sua ignorância é enciclopédica; sabe um pouco de tudo, e tudo mal.”