No âmbito dos projetos do cluster climatológico destacamos, hoje, duas realizações marcantes.
O programa ARM (Atmospheric Radiation Measurement) foi lançado em 1990 pelo Departamento de Energia dos EUA. Porém, a estação ARM foi instalada na Graciosa em 2009, funcionando, então, de forma experimental na previsão do tempo e no estudo do clima. Mais tarde, ganhou o estatuto de estação permanente. Em fevereiro de 2012, no final de um encontro com Kim Nitschke, do Departamento de Energia dos EUA, anunciámos que a ilha Graciosa teria, em permanência, uma estação para medição da radiação atmosférica, inserida num projeto internacional desse Departamento dos EUA. Acrescentámos que o ARM garantia que a nossa Universidade alargasse a investigação e recolha de dados científicos, úteis para os Açores, em termos de climatologia. O ARM resultou de uma parceria entre os EUA, a SRCTE e a autarquia da Graciosa, cabendo às autoridades regionais o apoio às infraestruturas complementares associadas à estação. Esta infraestrutura é uma das cinco do mundo do programa ARM, que estuda em profundidade o sistema estratiforme de nuvens de baixa altitude sobre os oceanos subtropicais. Na Graciosa realizam-se observações cruciais de longa duração sobre as nuvens marinhas; as medições registadas servem para os investigadores testarem e validarem simulações em computador. Estes dados têm baixa representação nos modelos climáticos, o que aumenta as incertezas nas previsões de alterações climáticas. Em suma, a Estação ARM da Graciosa tem forte papel na criação de modelos climáticos porque 70% da Terra está coberta por oceanos e as nuvens marinhas são as mais comuns no nosso planeta.
No ano de 2012 houve uma iniciativa científica internacional da rede SuperDARN que teve a aceitação e apoio político do Governo dos Açores, através da SRCTE. Nessa data, os Açores integraram a rede internacional SuperDARN. Este radar científico internacional da Graciosa estuda a ionosfera, região da atmosfera sobreposta à termosfera, que começa acima da mesosfera e se estende até cerca de 500 km a 600 km de altitude. O radar monitoriza a dinâmica desta camada superior, no quadro da meteorologia espacial, compreendendo as interações entre o vento solar e o campo magnético da Terra. Mais uma vez, a nossa geolocalização foi determinante para a Graciosa ser escolhida, por representar um ponto estratégico para uma extensão de latitudes médias desta rede global. Por outro lado, a Graciosa ficava longe de possíveis interferências radiomagnéticas das estações planeadas para Santa Maria. É mais um exemplo da postura proativa da Região como sujeito implicado no desenvolvimento das nossas potencialidades.
PS: Açores ainda sem verão. Só indicadores negativos noticiados amiúde. Bolieiro em estado de negação. Quando perora, lembra quem disse: “admiro a sua consistência - consegue estar equivocado com admirável regularidade”.