Opinião

Avanços e recuos

Visita da Comissão das Pescas aos Açores

Estamos a duas semanas da visita de membros da Comissão das Pescas à Região, após proposta minha. Uma delegação diversificada de colegas espanhóis, italianos, franceses e suecos, liderada pela Presidente da Comissão, Cármen Crespo, visitará São Miguel e o Faial para contactos alargados com entidades do setor, associações, empresas, Governo Regional e Universidade. É um programa intenso, mas desenhado para transmitir a diversidade do setor das pescas numa Região ultraperiférica, desde a apanha à comercialização, e os constrangimentos e dificuldades que atravessa, mas também as oportunidades, na investigação, na conservação, entre outras que decorrem de acrescentarmos a Portugal a maior Zona Económica Exclusiva da Europa.

Os Grupos de Ação Local da Pesca

Na última reunião da Comissão de Pescas do Parlamento Europeu, tive oportunidade de sublinhar a situação de sério risco em que se encontra o futuro dos Grupos de Ação Local (GAL) da Pesca no âmbito da proposta da Comissão Europeia para o Quadro Financeiro Plurianual 2028–2034. Recordando o caso português - onde 16 GAL das Pescas apoiam há mais de uma década as comunidades costeiras, dinamizando a relação entre as pescas, o território e o desenvolvimento local -, chamei a atenção para a ausência de uma dotação orçamental própria, de indicadores específicos e de visibilidade garantida no novo quadro financeiro que coloca em risco a continuidade da atividade destes parceiros locais com profundo conhecimento do território. Destaquei os casos da ADELIAÇOR e da GRATER, nos Açores, que têm iniciativas verdadeiramente únicas na dinamização das comunidades costeiras e na articulação entre as pescas e setores como o turismo. Temos de manter a pressão, também a nível regional e nacional, para que esforço das últimas décadas não seja desperdiçado.

Renovação geracional na agricultura

Na agricultura, isso significa também garantir futuro. É por isso que temos trabalhado na estratégia europeia para a renovação geracional, da qual sou negociador pelos Socialistas e Democratas, defendendo mais apoio ao rendimento, acesso à terra, crédito, habitação e serviços para os jovens agricultores. Nos Açores, como na restante UE, sem renovação geracional, não haverá agricultura forte nem coesão territorial duradoura.

Entretanto, o pântano…

Seis anos. Seis anos de promessas. Seis anos de incumprimentos e de retrocessos.

1. Nos transportes, perdemos. Perdemos a Ryanair. Perdemos o transporte marítimo interilhas de passageiros e viaturas em São Miguel. Conectividade que existia, que funcionava, que as pessoas usavam, simplesmente desapareceu.

2. O subsídio social de mobilidade era ágil. As pessoas iam aos CTT e eram reembolsadas no próprio dia. Hoje existe uma plataforma complicada, inacessível para muitos, com reembolsos que demoram semanas. Chamam-lhe modernização. É exclusão.

3. Na saúde, investiram-se milhões no hospital modular. Resultado? As listas de espera cresceram. As respostas pioraram. Dois anos depois do incêndio, e dezenas de milhões de euros depois, os açorianos estão pior do que antes.

4. Na agricultura, os pagamentos atrasam, os rateios, afinal, regressaram e os caminhos agrícolas estão ao abandono. Nunca, como agora, se anunciou tanto para se cumprir tão pouco.

5. Na habitação, o Governo não ata nem desata, apesar das óbvias necessidades.

6. Nas contas públicas, o maior endividamento de sempre, com défices sucessivos que paralisam qualquer decisão e tornam o futuro mais sombrio. Quanto à propalada revisão da lei de finanças regionais, tábua de salvação para uma governação sem norte? Está, como quase tudo o resto, em águas de bacalhau. Mas, não haja melindres ou preocupação. À medida que o calendário eleitoral apertar, vão anunciar mundos e fundos. É o guião de sempre. Mas quem não cumpriu o que prometeu, quem regrediu conquistas que custaram anos a construir, quem julga que governar é um mero exercício de dividir, sem ter que decidir, não merece a confiança dos açorianos.

Sem rumo. Sem estratégia. Sem liderança. É tempo de um Novo Futuro.

Deputado do PS/Açores no Parlamento Europeu