Dizer que “não há atrasos nos pagamentos porque não existe prazo”, como disse o Secretário Regional da Agricultura e Alimentação, não é apenas um truque, é uma confissão. Confissão de que quem governa prefere não se comprometer.
A lógica é simples: se nunca se fixa um prazo, nunca se falha. Mas também nunca se responde, nunca se explica, nunca se assume. É a administração pública regional reduzida a um exercício de total irresponsabilidade.
Não definir prazos e gabar-se disso, como parece ser o caso, não é um ato administrativo. É uma escolha consciente que tem consequências muito concretas para quem espera os apoios públicos, que não são um favor, são antes um direito. Na vida real, as contas a pagar têm datas, os fornecedores têm prazos e os salários não esperam por jogos de palavras.
Invocar a inexistência de prazo para negar atrasos é um insulto à inteligência de quem trabalha, de quem produz e espera por aquilo a que tem direito.
Mais grave ainda. Esta lógica inverte completamente o ónus da responsabilidade. Em vez de o Governo explicar por que demora, exige aos cidadãos que provem que o Governo está atrasado, mesmo quando esperam há meses ou anos. É a normalização do atraso pela via burocrática.
A administração pública regional não existe para se proteger a si própria. Existe para servir os Açorianos. E servir implica previsibilidade, planeamento e, sobretudo, respeito. Um apoio público sem calendário é um apoio sem compromisso. E um compromisso sem data é apenas propaganda.
Governar assim é confortável. Não há metas a cumprir, não há falhas a assumir, não há consequências políticas. Mas, também, não há confiança, nem credibilidade, nem respeito pelos setores que, afinal, sustentam a economia real.
Por fim, a frase dita por pelo Secretário Regional resume tudo: não há atrasos porque não há prazo. E não há prazo porque não se quer prestar contas.
Isso não é boa administração. É má governação.