A Semana do Mar não é apenas uma festa. É uma marca da nossa identidade, uma expressão da ligação profunda da ilha ao mar e uma das celebrações mais emblemáticas da nossa memória coletiva. Para muitas pessoas, é também um tempo de reencontro, de orgulho e de pertença. É precisamente por isso que custa ver uma iniciativa desta dimensão tratada sem a antecedência, a abertura e a atenção que merece.
Desde cedo que a vereação do PS Faial defende que a apresentação da Semana do Mar deve ser pensada com alguma antecedência. Não por capricho, nem por qualquer impulso de protagonismo político, mas por respeito pelo valor histórico e cultural que esta celebração representa. Falamos de uma das mais antigas e simbólicas festas ligadas ao mar, um património coletivo que exigia tempo, planeamento e visão. Este início de mandato podia e devia ter sido uma oportunidade para fazer diferente e fazer melhor.
Defendemos também que este processo devia ser mais participado. Uma festa desta importância não se constrói apenas dentro de portas. Ganha força quando se abre à sociedade civil, quando escuta associações, agentes culturais, instituições e cidadãos. Ganha alma quando acolhe contributos diversos e quando envolve verdadeiramente a comunidade. É dessa participação que nasce o sentimento de pertença e é assim que uma celebração cresce em qualidade, autenticidade e significado.
Infelizmente, a realidade tem seguido outro caminho. Enquanto outras festividades já foram apresentadas e estruturadas com a antecedência necessária, por cá continua a faltar informação, clareza e envolvimento. E quando a comunicação falha no tempo certo, não falha apenas a organização. Falha também a possibilidade de participação de todos aqueles que gostariam de contribuir, planear, colaborar e ajudar a dignificar esta festa.
A Semana do Mar merece mais do que anúncios tardios. Merece rumo, método e a consciência plena daquilo que representa para a ilha. Porque não está em causa apenas um programa de eventos. Está em causa a forma como valorizamos a nossa história, como cuidamos das nossas tradições e como preservamos um património imaterial que pertence a todos.
Esta não é uma crítica estéril, pelo contrário, pretende ser apenas uma chamada de atenção, por entendermos que ainda vamos a tempo de corrigir o rumo, de abrir o processo, de ouvir mais, de integrar melhor e de tratar esta celebração com a grandeza que merece. E mesmo que este ano já não permita fazer tudo como seria desejável, continua a ser possível lançar bases mais sólidas para o futuro.
Porque o mar não pertence a poucos. Pertence a todos. E uma festa que nasce do mar, da história e da alma de uma terra também deve ser pensada com todos, preparada com tempo e vivida com o respeito que merece.