Opinião

Governar é decidir!

O momento que vivemos exige lucidez, proximidade e, sobretudo, ação. Não é uma questão só de números, apesar de eles serem claros. Exemplos: seis meses consecutivos de quebra nas dormidas turísticas, baixas taxas de ocupação na Páscoa nos hotéis e alojamento local, menos passageiros desembarcados nas ligações marítimas, e a saída da Ryanair dos Açores. São sinais evidentes de perda de dinamismo económico e de falhas graves na estratégia seguida.

Perante isto, ouvir o Governo insistir que a TAP e a SATA chegam para sustentar o turismo é revelador de uma enorme falta de noção. É governar de costas voltadas para a realidade e para o mercado. É ignorar que foi a concorrência e a entrada de privados que fizeram crescer o turismo nos Açores. Persistir nesta visão é empurrar a Região para trás.

A confiança está a desaparecer e isso sente-se no terreno. Empresários abandonados, empresas à espera de pagamentos há meses, trabalhadores com medo do futuro. Há hoje mais pressão, mais incerteza e menos capacidade de resistir. E o Governo continua a arrastar decisões, como se o tempo perdido não tivesse custos!

O que temos é um Governo lento, hesitante e sem sentido de urgência. Um Governo que promete muito e decide pouco. Que se refugia na prudência para justificar a inação. Mas essa prudência não é cautela: é bloqueio. E quem paga são as empresas, os trabalhadores e a economia dos Açores.

O PS já fez sugestões: pagamentos a tempo, menos burocracia, decisões rápidas e uma aposta séria nas acessibilidades e na promoção do destino. Falta uma coisa essencial: capacidade de decidir.

A Região não pode continuar em gestão corrente. Cada dia perdido agrava os problemas e destrói a confiança.

As pessoas não querem desculpas. Querem respostas. Governar é decidir. O que está a acontecer é exatamente o contrário.