O Presidente do Governo Regional e a Secretária Regional da Saúde voltaram a admitir que o Plano Funcional do Hospital do Divino Espírito Santo (HDES) precisa de revisões. Depois de múltiplos avanços e recuos, de dois planos funcionais e de uma comissão de análise, continuam sem projeto para lançar a concurso, e continuamos todos sem saber qual será afinal o modelo hospitalar que o Governo PSD/CDS-PP/PPM pretende para servir São Miguel e os Açores.
A cada declaração pública do executivo confirma-se o que o Partido Socialista tem denunciado: não existe liderança nem estratégia, apenas sucessivas tentativas de remendar decisões precipitadas ou mal preparadas.
As recentes declarações de José Manuel Bolieiro perante a Mesa do Conselho de Ilha de São Miguel levantam ainda mais dúvidas. O Governo garante que não haverá intervenções fora do perímetro atual, mas não clarifica como serão acomodadas as mudanças significativas que a própria tutela admite serem necessárias.
O Governo pede confiança, mas transforma, sem pejo, a solução transitória do hospital modular numa peça permanente do “novo” Hospital, confirmando que, pura e simplesmente, enganou os Micaelenses.
As dúvidas saltam aos olhos de todos, enquanto a recuperação do HDES se arrasta lentamente e prolonga constrangimentos para doentes, profissionais e famílias, com consultas adiadas, cirurgias reprogramadas e deslocações forçadas. Cada mês sem uma decisão clara aumenta a ansiedade de quem espera, agrava o desgaste de quem trabalha e eleva o custo para a Região.
Não adianta “arrumar” a Presidente do Conselho de Administração, afastando-a dos holofotes e dos microfones, e muito menos adianta chamar-lhe “Sucesso” ou falar do “muito trabalho invisível”, quando o que está em causa não é apenas um edifício, mas sim a segurança dos doentes e a transparência das decisões.
Os Açorianos aguardam respostas sólidas e calendarizadas, e não o provisório disfarçado de estratégia. O que aconteceu ao entusiasmo sonhador que lançou ao vento a construção de um Hospital Universitário, do qual agora nada é dito nem sabido sobre uma articulação com a Universidade dos Açores? Não há quem lembre que um hospital universitário não nasce por decreto, que exige cooperação institucional séria, contratos-programa e sustentabilidade a longo prazo? Nada disso está esclarecido ou garantido. Tudo isto é simplesmente encenado.