Opinião

Entre crises reais e respostas

I. EM NEGAÇÃO

Luís Montenegro errou e perdeu. Errou ao escolher um candidato que não conseguiu federar o seu próprio campo político. Errou, depois, ao colocar Seguro e Ventura no mesmo plano, classificando ambos como extremistas. E voltou a errar ao afirmar que “nada muda” com o resultado das eleições presidenciais, quando praticamente toda a gente intui que nada será como dantes. Montenegro e o PSD são os grandes derrotados destas eleições presidenciais.

O estado de negação em que mergulharam desde o passado dia 18 de janeiro revela como foram rapidamente ultrapassados pelas circunstâncias. Perderam o momentum, perderam a iniciativa política — e poderão pagar caro por isso.

Incompreensível é também a posição do líder do PSD/A que, por receio do Chega, preferiu mimetizar Montenegro. O Presidente do Governo Regional revelou igualmente estar em negação quando, no próprio dia das eleições, afirmou que a alegada falta de pluralidade de candidatos poderia conduzir ao aumento da abstenção.

I. CRISE NO SETOR DO LEITE

Em vários países europeus, os preços pagos aos produtores caíram de forma abrupta, deixando de cobrir os custos de produção.

Nos Açores, esta pressão traduz-se em valores próximos dos 35 cêntimos por litro, colocando muitas explorações numa situação de séria vulnerabilidade. Quando produzir passa a significar prejuízo, não está apenas em causa o rendimento dos agricultores — está em causa o emprego, a coesão territorial e a própria segurança alimentar da nossa Região.

Reiterei esta semana a necessidade de uma resposta europeia urgente, assente em instrumentos eficazes de gestão de mercado, compensações adequadas para os produtores e uma política comercial que não exponha os nossos agricultores a situações de concorrência desleal.

III. PESCAS: CORTES EUROPEUS QUE AMEAÇAM O ATLÂNTICO

Ainda esta semana, reuni-me com o Ministro de Estado irlandês responsável pela Agricultura e pelas Pescas, no contexto da preparação da Presidência da Irlanda do Conselho da União Europeia, num momento particularmente crítico para o setor.

A proposta da Comissão Europeia prevê um corte superior a 60% no financiamento europeu destinado às pescas — uma decisão que coloca seriamente em risco as frotas, o rendimento dos profissionais do mar e a sustentabilidade das comunidades costeiras.

Para regiões ultraperiféricas como os Açores, esta opção significaria menos apoio, menos atividade económica e maior abandono do território.

É por isso que estamos a exigir não apenas mais financiamento, mas também a criação de um instrumento europeu próprio que proteja verdadeiramente o setor das pescas e reconheça a sua importância estratégica para o Atlântico.

IV. HABITAÇÃO: UMA PRIORIDADE SOCIAL EUROPEIA

Milhões de europeus vivem hoje com dificuldades sérias no acesso a uma habitação digna a preços comportáveis.

Esta semana, o Parlamento Europeu aprovou um conjunto de recomendações relevantes: mais investimento em habitação pública e acessível; regras equilibradas para o alojamento local; simplificação e aceleração dos processos de licenciamento; e um combate mais eficaz à pobreza energética.

Habitação não é um luxo. É um direito. E a Europa tem de assumir este desafio como uma prioridade social central.

Num tempo de elevada polarização, em que alguns se deixam enredar numa espécie de “calimerismo militante”, é isso que orienta a minha ação: apresentar soluções concretas, proteger as pessoas, defender quem trabalha e garantir condições de vida dignas nos Açores e na Europa.