Opinião

O poder silencioso de um voto

Numa democracia, o direito de voto é a voz das fundações de uma sociedade, uma ferramenta valiosa e, por vezes, subestimada, que confere poder ao povo. É mais do que um simples ato de marcar a cruz num quadrado. É a expressão de desejo, de esperança e de confiança no futuro.

Ao longo da história, grupos marginalizados lutaram arduamente para conquistar o direito de voto. Mulheres, minorias étnicas, e outros setores da sociedade que antes eram excluídos da participação política tiveram de enfrentar obstáculos significativos para garantir esse direito fundamental.

Também por isso, o direito de voto, não é apenas um privilégio, é um dever cívico que molda os destinos do povo. Votar carrega consigo a responsabilidade de escolher líderes que irão tomar decisões cruciais e estabelecer políticas que afetarão a vida de todos.

A democracia não é estática. É uma jornada em que cada cidadão, ao votar, está a contribuir para as gerações futuras.

No entanto, com grande poder vem grande responsabilidade. Todos temos obrigação de nos informarmos, de compreender o que está em jogo e de considerarmos cuidadosamente as propostas apresentadas pelos diferentes candidatos. A ignorância pode enfraquecer a força do voto.

Por tudo isso é que me parece importante também termos a consciência do perigo dos políticos populistas, que muitas vezes simplificam questões complexas, oferecem soluções aparentemente rápidas e fáceis, sem considerar as nuances do que está verdadeiramente em causa. Ao explorarem frustrações e ansiedades do povo, esses líderes podem criar divisões sociais e políticas, minando até a própria coesão democrática. Além disso, o populismo pode comprometer a integridade das instituições, já que estas lideranças procuram consolidar o seu próprio poder em detrimento do poder do povo.

Que tenhamos todos esta consciência e que façamos do poder silencioso do nosso voto um verdadeiro voto de confiança nos Açores.

 

(Crónica escrita para Rádio)