PRR salva a face ao Governo na Graciosa, mas não esconde o vazio do investimento regional

PS Açores - Há 1 hora

O Secretariado do PS Graciosa saúda a inauguração das obras de proteção da orla costeira dos Fenais, da Estrutura Residencial para Pessoas Idosas de Santa Cruz e das três moradias recentemente entregues. Trata-se de investimentos importantes para a ilha, que respondem a necessidades reais da população e que merecem ser valorizados.

Também foi importante a autorização para a ampliação do parque fotovoltaico da Graciosa, embora este seja um investimento totalmente privado, ao contrário do que nos quiseram fazer crer.

Contudo, importa dizer a verdade aos graciosenses, ou seja, estas obras só são hoje uma realidade porque foram enquadradas e financiadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Se não existisse o PRR, negociado pelos anteriores governos, muito provavelmente o Governo Regional não teria nada para inaugurar na Graciosa.

Basta olhar para os números da execução do Plano Regional de Investimentos de 2025. Com uma execução de apenas 21%, fica demonstrada a incapacidade do executivo em concretizar investimentos com recursos próprios e em dar resposta às necessidades das ilhas. O PRR acabou por funcionar como uma autêntica boia de salvação para um Governo que acumula promessas, anúncios e atrasos.

Mais preocupante ainda é o acordo celebrado com a Câmara Municipal de Santa Cruz da Graciosa e alegadamente consumado antes da reunião com o Conselho de Ilha. Segundo foi anunciado, o Governo Regional entrega à autarquia a responsabilidade pela resolução dos problemas do abastecimento de água, uma matéria que é também da sua competência, nomeadamente o abastecimento à lavoura e relativamente à qual tem falhado sucessivamente desde 2021.

Em contrapartida, o Governo chama a si a Marina da Barra seis anos depois, provavelmente para ganhar mais algum tempo. Mas, afinal, aquilo que foi apresentado não passa, para já, da intenção de realizar mais um estudo, desta vez de viabilidade, com vista à futura construção e concessão da infraestrutura a privados.

Estamos, por isso, perante aquilo que popularmente se designa por um verdadeiro “negócio da China”. O Governo Regional desresponsabiliza-se de um dos problemas mais graves que afetam a população e a atividade económica da ilha, empurrando a questão da água apenas para a Câmara Municipal, e reserva para si um projeto que nem sequer tem obra prevista, limitando-se a anunciar estudos para, no futuro, entregar a construção e exploração a terceiros.

Chama-se a isto “investimento zero” ou, então, “esperteza saloia” que não pode passar em claro perante os graciosenses.

Os graciosenses precisam de soluções concretas, de obras executadas e de compromissos cumpridos. Precisam de um Governo que assuma as suas responsabilidades e que invista efetivamente na ilha, e não de mais operações de propaganda destinadas a esconder a ausência de obra própria e a falta de resultados.

Os graciosenses ficaram sem respostas para as estradas regionais, promoção turística, novo CATL na Casa da Lavoura para substituir o provisório que já parece definitivo.

Os graciosenses vão continuar com os serviços mínimos em transportes marítimos de passageiros e com a execução da gare marítima adiada para uma data que tarda em chegar.

As respostas aos problemas habitacionais devem também ser ajustadas ao perfil dos candidatos e das reais necessidades da ilha, coisa que não aconteceu.

O Partido Socialista continuará a defender os interesses da Graciosa, exigindo investimentos reais, transparência nas decisões e responsabilidade política por parte do Governo Regional que está, paulatinamente, a deixar esta ilha para trás.