“A Agricultura Europeia não pode ser um detalhe do orçamento europeu”, avisa André Franqueira Rodrigues

PS Açores - Há 6 horas

Eurodeputado açoriano assume-se como a voz dos Açores na defesa de uma PAC forte, comum e bem financiada.

O eurodeputado André Franqueira Rodrigues reuniu-se com o representante da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) em Bruxelas, para discutir as propostas da Comissão Europeia para o futuro da Política Agrícola Comum (PAC) e o orçamento da União Europeia após 2028.

No encontro, André Franqueira Rodrigues sublinhou que “os socialistas no Parlamento Europeu têm demonstrado o seu apoio aos agricultores, desde o início do mandato e nos momentos decisivos para o futuro da agricultura europeia. A agricultura não pode ser um detalhe do orçamento europeu e isso exige financiamento sério e regras justas”, afirmou.

Um dos temas centrais da reunião foi o anúncio recente pela Comissão Europeia de antecipar cerca de 45 mil milhões de euros do próximo ciclo orçamental para compensar os agricultores europeus face à assinatura do Acordo UE-MERCOSUL. Para o eurodeputado do Partido Socialista, “não estamos a falar de mais apoio. Estamos a falar de gastar mais cedo aquilo que já estava previsto.”, alertou.

Para o socialista antecipar essas verbas reduz a margem para responder, mais tarde, a situações como secas prolongadas, quebras abruptas de preços ou problemas sanitários. “É como usar toda a almofada logo no início. Quando algum problema aparecer, já não há margem. É fundamental que a Comissão Von der Leyen comece a falar a verdade aos agricultores”, resumiu.

O eurodeputado açoriano reiterou ainda as preocupações quanto ao risco de a nova proposta da Comissão para o futuro orçamento diluir a PAC num grande fundo orçamental, transferindo mais responsabilidades para os Estados-Membros. “Se cada país tiver de compensar cortes com o seu próprio orçamento, os mais ricos aguentam, os outros ficam para trás. Isso não é uma política comum, é cada um por si”, afirmou.

Para André Franqueira Rodrigues, a mensagem é simples: “Se o orçamento europeu cresce, não faz sentido que a agricultura encolha. Não podemos pedir mais aos agricultores em ambiente, em qualidade, em segurança alimentar e ao mesmo tempo dar-lhes menos apoio”.

A reunião com a Confederação dos Agricultores de Portugal insere-se num conjunto de contactos que o eurodeputado tem vindo a manter para garantir que as decisões tomadas em Bruxelas refletem a realidade de quem trabalha no terreno.