PS/Açores rejeita triunfalismos e reafirma compromisso com um combate sério à pobreza

PS Açores - Há 2 horas

O Grupo Parlamentar do PS/Açores alertou esta manhã, na Horta, para os riscos de uma leitura simplista e politicamente oportunista dos dados relativos à pobreza na Região, sublinhando que a evolução recente dos indicadores estatísticos não pode ser confundida com uma melhoria real e sustentada das condições de vida das famílias açorianas.

Na sua intervenção no âmbito de uma declaração política sobre o tema, o deputado Marco Martins recordou que a descida da taxa de pobreza resulta, em larga medida, de uma alteração metodológica no próprio inquérito. “Essa descida deve-se a uma alteração do método de contabilização. A análise correta tem de ser feita com este enquadramento técnico. Fazer uma análise simplista desta maneira não é politicamente elevado, nem é correto”, afirmou.

O parlamentar chamou ainda a atenção para o facto de os indicadores oficiais não captarem as situações de pobreza mais extrema. “Sabe quem é que não participou neste inquérito? Não participaram os sem-abrigo. As centenas e centenas de pessoas e famílias que vivem o flagelo da toxicodependência certamente não participaram nesta inquirição”, alertou, sublinhando que são precisamente essas realidades que exigem maior atenção política e respostas públicas consistentes.

Marco Martins criticou também a opção do Governo Regional de abandonar a Estratégia Regional de Combate à Pobreza e Exclusão Social, uma política estruturada que tinha resultados positivos reconhecidos.

“Quando terminou a governação socialista, em 2020, estava em vigor uma estratégia regional com resultados evidentes e com amplo consenso. Abandonaram-na apenas por ser uma estratégia do PS e não tiveram um plano alternativo preparado”, acusou.

O deputado lembrou ainda que o plano que veio a ser apresentado esteve “anos e anos na gaveta”, criando um vazio na política social da Região.

Relativamente ao Rendimento Social de Inserção, o deputado socialista rejeitou a ideia de que se trate de uma medida meramente assistencialista, lembrando que é um instrumento exigente de inclusão social.

“Quem recebe RSI assina todos os anos um contrato de inserção, com obrigações na educação, na saúde e no acompanhamento social. É isso que permite melhorar as condições de vida das crianças e quebrar ciclos de exclusão”, sublinhou.

Para o PS/Açores, o combate à pobreza exige mais do que discursos triunfalistas e leitura acrítica de números, exige políticas públicas estruturais, continuidade estratégica e uma verdadeira preocupação com quem vive situações de exclusão real.

“Mais do que estarmos aqui com pseudo-triunfalismos, temos é de estar extremamente preocupados com esta realidade”, concluiu Marco Martins.

 

Horta, 14 de janeiro de 2026