Não é a primeira vez que trago este assunto e garanto aos leitores que voltarei a fazê-lo tantas vezes quantas forem necessárias para denunciar este persistente virar de costas à Graciosa e aos graciosenses.
Os dados definitivos de 2025 já não deixam margem para desculpas: desde 2021, a Graciosa perdeu investimento, capacidade de execução e importância no contexto regional. A comparação com os últimos cinco anos de governação do PS revela um recuo profundo e impossível de esconder.
Entre 2016 e 2020, a execução do Plano Regional Anual na Graciosa superou sempre os 9 milhões de euros por ano e atingiu 12,4 milhões em 2020. Nesses cinco anos, foram executados 51,8 milhões de euros, o equivalente a uma média anual de 10,36 milhões.
Entre 2021 e 2025, sob os governos da coligação, a realidade foi radicalmente diferente: 8,4 milhões de euros em 2021, 5,5 milhões em 2022, 4,8 milhões em 2023, 6,9 milhões em 2024 e apenas 6,1 milhões em 2025. O total ficou-se pelos 31,8 milhões de euros, com uma média anual de apenas 6,36 milhões. Em nenhum destes cinco anos a execução sequer alcançou o valor mais baixo registado entre 2016 e 2020.
A fatura deste recuo é clara. São menos 20 milhões de euros executados em apenas cinco anos, uma quebra de 38,6%. Em média, a Graciosa perdeu 4 milhões de euros de investimento por ano face ao ciclo anterior.
E este resultado torna-se ainda mais grave porque nunca os Açores tiveram ao seu dispor tantos recursos financeiros como neste período, graças à conjugação do PRR com os fundos do quadro comunitário. Ou seja, quando existiam mais meios do que nunca para investir, acelerar projetos e corrigir desigualdades entre ilhas, a Graciosa recebeu menos. A falta de dinheiro não pode, por isso, servir de desculpa. O que falhou foi a definição de prioridades, a capacidade de execução e a vontade política de garantir a esta ilha a justa parcela dos recursos disponíveis.
O resultado de 2025 desmonta definitivamente a tentativa de justificar esta quebra com a transição governativa ou com dificuldades conjunturais. Ao fim de cinco anos, a execução de 6,1 milhões de euros representa menos de metade do pico de 12,4 milhões alcançado em 2020 e continua 4,26 milhões abaixo da média anual dos cinco anos anteriores.
Para a Graciosa, estes 20 milhões de euros em falta não são números. Representam investimentos adiados, infraestruturas por concretizar, equipamentos coletivos que não avançaram, serviços públicos sem o reforço necessário e menos estímulo
para a economia e o emprego. Numa ilha pequena, retirar uma média de 4 milhões de euros por ano ao investimento executado tem consequências reais na vida das pessoas e agrava as desigualdades territoriais.
O que os números demonstram é um padrão de desinvestimento. Foram 51,8 milhões de euros executados entre 2016 e 2020 contra apenas 31,8 milhões entre 2021 e 2025.
Perante estes dados, as proclamações da coligação sobre coesão regional e equilíbrio entre ilhas são vazias. A execução orçamental revela que em cinco anos, a Graciosa recebeu menos investimento, perdeu peso nas prioridades do Governo Regional e ficou 20 milhões de euros para trás. Não foi uma oscilação passageira. Foi, uma vez mais, uma opção política com custos concretos para a ilha Graciosa e para os graciosenses.