Um estudo do King's College e da Ipsos, com 23 mil pessoas em quase trinta países, concluiu que um em cada três homens da geração nascida após a década de 90 (a chamada “Z”) acha que a mulher deve obedecer sempre ao marido. Segundo o Movember Institute, quase dois terços dos jovens entre os 16 e os 25 anos no Reino Unido, nos EUA e na Austrália seguem regularmente estes influenciadores na chamada “manosfera”. E quem os segue sente-se mais inútil e mais ansioso e dá menos prioridade à saúde mental. A “manosfera” vende uma falsa ideia de força. Quem grita não é forte. Está assustado.
Nos Açores, o problema também existe. Num estudo da UMAR com 1009 jovens de oito ilhas, 65,5% não reconheceram como violência no namoro pelo menos um de 15 comportamentos abusivos. O controlo de namoradas e parceiras é o comportamento mais tolerado. E os rapazes legitimam mais a violência do que as raparigas.
A política não está imune. Pelo contrário. Há quem a transforme em palco de valentões. Líderes que gritam e confundem insulto com firmeza, autoridade com medo, crueldade com coragem. E há quem aplauda, porque o ruído parece convicção. Mas liderar não é esmagar. É unir. É dizer a verdade quando custa. É ceder quando o bem comum o exige, sem abdicar dos princípios. É ouvir antes de decidir.
Um líder forte não precisa de inimigos para existir. Precisa de propósito. Se queremos afastar os jovens destas tribos digitais, não basta proibir conteúdos. É preciso dar-lhes melhores exemplos. Na escola, em casa, na praça pública. E também nos parlamentos.
A força que deve ser valorizada é a que não tem medo de ser humana. A que não perde o outro de vista. Num mundo embrutecido, que despreza a cultura, eleva as diferenças a crises identitárias, transforma a discordância em guerra de trincheiras, premeia a violência e ridiculariza a razão, todos temos de fazer mais e melhor. Porque a verdadeira força é cuidar. O resto é ruído.
Participei esta semana num debate sobre irrigação e resiliência hídrica no contexto agrícola. A Europa tem metas, tecnologia e capacidade financeira. O que falta é fazer tudo isso chegar às explorações e às regiões. Para os agricultores, água é sinónimo de produção, rendimento e segurança alimentar. Modernizar a irrigação, reduzir perdas e reutilizar melhor a água exige investimento acessível e regras adaptadas a realidades diferentes. A resiliência hídrica da UE constrói-se com os agricultores.
Levei também à Comissão Europeia a preocupação com o aumento das chamadas “narcolanchas” em águas portuguesas. Portugal tem um enorme espaço marítimo para vigiar e redes criminosas cada vez mais rápidas sofisticadas e que tem feito do nosso país alvo e plataforma. As novas capacidades europeias de observação que estão a ser desenvolvidas para ajudar à nossa capacidade de conhecimento ciétifico – OcenEye - podem e devem ajudar as autoridades nacionais a detetar e combater estas embarcações. Um problema transnacional exige instrumentos à mesma escala.
Em Ponta Delgada e em Bruxelas, voltei ao próximo orçamento europeu. O tempo urge e o próximo trimestre será decisivo. A União quer fazer mais em defesa, competitividade, energia e inovação. Tem de ter recursos para isso. As novas prioridades não podem ser pagas pela Coesão, pela Agricultura, pelas Pescas ou pelas regiões que menos têm. Reconhecer a importância das regiões ultraperiféricas é positivo. Agora é preciso garantir que esse reconhecimento aparece também no orçamento. g