Opinião

O turismo não se governa por inércia

Dez meses já não são um acaso. São uma tendência. E quando essa tendência acontece nos Açores em contraciclo com o resto do país, parece-me legítimo perguntar o que estamos a fazer de diferente ou até o que deixamos de fazer.

Em julho, as dormidas nos Açores voltaram a cair mais de 2%. No País, cresceram 2,1%. É o décimo mês consecutivo de quebra na Região.

Os privados têm dado sinais de preparação e capacidade. A oferta turística cresceu fortemente nos últimos anos porque houve investimento, houve risco empresarial e naturalmente houve qualificação da oferta.

O que falta, então? Falta estratégia política para o setor.

Há meses que empresários pedem outra resposta. Em março já alertavam para a quebra da procura. Em maio reclamavam medidas urgentes. Em julho já se falava abertamente numa perda da competitividade. E em setembro já se agudizavam as críticas à promoção insuficiente e defendia-se praticamente a duplicação do orçamento da Visit Azores.

O Governo foi respondendo que pretendia menos obsessão com quantidade e mais qualidade e valor acrescentado. É uma ambição defensável, mas turismo de qualidade não pode transformar-se numa explicação confortável para dez meses de perda de dormidas.

Consolidar um destino exige promoção persistente, mercados bem trabalhados, campanhas lançadas a tempo e uma entidade promocional com recursos, estratégia e capacidade de execução.

Os Açores já provaram que têm produto. Os empresários provaram que acreditam nele.

Agora cabe à política provar que sabe promovê-lo com a mesma ambição com que os privados o construíram.

 

(Crónica escrita para Rádio)