Opinião

A escola começa antes do toque da campainha

Setembro tem um som próprio. O despertador toca mais cedo, as mochilas regressam à entrada de casa e milhares de famílias retomam rotinas feitas de pressa, esperança e algum nervosismo.

Por detrás desta rotina, há uma escola que precisa de estar preparada para receber bem os seus alunos e apoiar quem nela trabalha. Na Escola Básica António José de Ávila, na Horta, reuni com o Conselho Executivo para conhecer as dificuldades deste arranque e ouvir quem procura respostas todos os dias.

Falamos de manutenção por fazer, obras adiadas, materiais que chegam tarde e falta de respostas na formação e profissionalização dos professores. Problemas que, dentro de uma escola, têm rosto.

São alunos que esperam melhores condições, famílias que assumem mais despesas e professores que começam o ano sem todas as respostas.

Falar de Educação exige respeito por quem faz a escola acontecer. Há professores que levam preocupações dos alunos para casa, assistentes que conhecem cada criança pelo nome e famílias que fazem contas para que aos filhos não falte nada. Esse esforço merece reconhecimento, mas não pode substituir a responsabilidade pública.

E a escola começa antes do portão. Começa antes do toque da campainha.

Para muitas famílias açorianas, transportes públicos regulares e fiáveis não são uma comodidade. São o que permite chegar à escola, ao trabalho ou a uma consulta, por exemplo. Numa Região insular e dispersa, a mobilidade também é igualdade de oportunidades.

Neste início de ano letivo, devemos voltar ao essencial: cuidar das escolas, garantir materiais a tempo, preparar os professores e assegurar transportes que facilitem a vida às pessoas.

Nestes dias de setembro, penso sobretudo nas crianças e nos jovens que regressam às escolas dos Açores. Nos que são deixados à porta e nos que se despedem dos pais em casa, seguem para a paragem e fazem de autocarro o caminho de todos os dias.

Em cada despedida vai o mesmo desejo: que cheguem bem, que encontrem quem os acolha, que aprendam, cresçam e regressem a casa com vontade de contar como correu o dia.

É também assim que se cuida do futuro: cuidando de quem aprende, de quem ensina e de quem, todos os dias, ajuda a escola a acontecer.

Um bom ano letivo a todos!