A coligação que suporta este Governo entrou em modo Dr. JekyllandMr. Hyde, o que não advém apenas das escaramuças entre fãs do Dr. Bolieiro e apaixonados do Sr. Vice, até porque estas são a consequência, e não a origem, do grande problema desta (des)governação, que reside na incapacidade de decisão do brando Presidente, que toda a Região pôs em muito aperto, "vede da natureza o desconcerto!".
Como alertava Camões na estrofe 138 do Canto III de Os Lusíadas, que vem sendo livremente citada, "um fraco Rei faz fraca a forte gente", e são inúmeros os sintomas do enfraquecimento das gentes de Bolieiro.
Atente-se em dois exemplos recentes.
Em fevereiro, a secretária Berta Cabral garantiu que o reforço da operação da SATA e da TAP iria colmatar a saída da Ryanair. Em maio, plot twist, o diretor regional do Turismo admitiu que a SATA e a TAP não vão conseguir colmatar, na totalidade, a saída da Ryanair.
Decidam-se!
Em maio de 2024, o Governo afirmava que a declaração do estado de calamidade resultante do incêndio do HDES visava agilizar e acelerar procedimentos de contratação pública que permitissem ao HDES normalizar, no mais curto espaço de tempo, a sua atividade.
Em maio de 2025, Bolieiro justificou a não renovação da calamidade declarada, afirmando que o mais imediato estava resolvido e que já não era necessário ir para além do Código dos Contratos Públicos.
Posto isto, só em maio de 2026 é que o HDES adjudicou a reabilitação das duas salas do bloco operatório que ficaram inoperacionais, prevendo a sua conclusão para o final do ano.
Dois anos e três dias para decidir, deixando evidente que, para o Governo, operacionalizar em pleno o bloco do HDES não foi uma prioridade!
Estes são exemplos recentes de um Governo que "mole se fez e fraco; e bem parece / que um baxo amor os fortes enfraquece".
Está tudo nos clássicos!