Os mais recentes dados do SREA vieram confirmar aquilo que já era evidente para quem trabalha no setor turístico ou o acompanha com seriedade. Os Açores estão a perder passageiros, conetividade e capacidade de atração, enquanto o Governo insiste numa narrativa de sucesso cada vez mais distante da realidade.
Nos últimos dias ouvimos o Presidente do Governo falar dos Açores como uma "Região de Oportunidades" e o Secretário de Estado do Turismo anunciar reforços de promoção internacional, novos mercados e novas rotas. Tudo isto depois de o próprio Diretor Regional do Turismo ter admitido aquilo que o PS vinha a alertar há muito: SATA e TAP não conseguem compensar totalmente a saída da Ryanair.
O que era tratado como maledicência da oposição acabou confirmado pela própria tutela, mas, para o PS, ter razão nunca foi suficiente. O importante é evitar que os problemas se agravem.
Os números são claros: abril foi o 4.º mês consecutivo de quebra homóloga nos desembarques nos aeroportos dos Açores, depois de já terem existido descidas entre setembro e novembro do ano passado. Em abril, a quebra foi de 12,3%. Nos voos territoriais atingiu 18% e nos internacionais 19,8%.
É positivo reforçar a promoção externa e trabalhar novas rotas, mas governar não é viver da expectativa do que poderá acontecer "a seu tempo". Governar é apresentar resultados concretos no presente.
A diferença entre o PS e o Governo é, neste caso, esta: não nos limitamos aos anúncios. Apresentámos, na AR, propostas para reforçar a captação de novas rotas, reduzir taxas aeroportuárias e envolver o Turismo de Portugal numa promoção mais eficaz dos Açores. E apresentámos, na ALRAA, uma proposta para criar um Fundo de Desenvolvimento de Rotas Aéreas.
Governar é antecipar problemas e agir a tempo. E essa falta de antecipação já não se nota apenas no turismo. Nota-se, por exemplo, no setor social, onde as IPSS voltaram a alertar para dificuldades financeiras e para o risco de não conseguirem pagar subsídios de férias aos seus trabalhadores.
Aqui repete-se o padrão, ou seja, sempre que alguém alerta para problemas, o Governo reage com acusações de alarmismo. Porém, os factos têm um detalhe que não deve ser esquecido por quem governa através da propaganda. Mais cedo ou mais tarde, acabam sempre por aparecer na realidade.