Há uma coisa que começa a tornar-se evidente nos Açores: alguém está a pensar demasiado pequeno.
Não por falta de capacidade da Região. Não por falta de talento das pessoas. Mas por uma forma de olhar o futuro que parece sempre condicionada pelo imediato, pelo possível mais curto, pela ambição reduzida ao mínimo necessário.
E isso vê-se até na forma como se discute a Região. Fala-se muito de gestão, de equilíbrio, de contenção. Fala-se pouco de ambição, de escala, de visão. Quase sempre que se podia levantar a fasquia, opta-se por baixar o risco. Como se governar fosse apenas evitar que algo corra mal, em vez de garantir que algo corra mesmo bem.
Uma região como os Açores não pode ser pensada assim. Nós temos posição, temos identidade, temos potencial. O que muitas vezes falta não é a capacidade instalada. É a vontade de projetar essa capacidade para um caminho mais exigente, mas mais reprodutivo.
E é aqui que a política deve fazer a diferença. Governar não é apenas gerir o que existe. É definir para onde queremos ir. É ter a coragem para assumir prioridades que não se esgotam num ciclo político. É perceber que o futuro não se constrói com cautelas permanentes.
Porque quando a ambição desaparece de uma governação, somos todos nós que ficamos para trás. Os açorianos não pensam pequeno. Nunca pensaram! Sempre souberam adaptar-se, inovar, resistir, construir e reconstruir em condições difíceis.
Não podemos aceitar sermos limitados por uma visão política que não acompanha essa capacidade. Talvez esteja na altura de exigir mais. Exigir um rumo. Porque os Açores não precisam apenas de quem governe o presente. Precisam de quem tenha a coragem para pensar maior.
(Crónica escrita para Rádio)