Opinião

A estrada que espera há demasiado tempo

Há assuntos que não deviam precisar de petições para avançar. A estrada Furnas–Povoação é um deles.

Falamos de uma via onde já se perderam vidas. Onde a insegurança não é perceção — é realidade. Onde cada derrocada, cada inverno mais agressivo, cada relatório técnico reforça aquilo que todos sabem há anos: esta estrada precisa de uma solução definitiva.

Todos sabem que alguma coisa já foi feita. Houve estudos, houve projetos, houve fases iniciadas. Mas também todos sabem que faltou o impulso necessário para levar o processo até ao fim. Faltou prioridade clara. Faltou transformar intenção em execução.

Enquanto isso, houve outras opções políticas. Investimentos noutras ligações rodoviárias, noutras intervenções, noutras respostas ao problema do trânsito. Todas podem ter a sua justificação. Mas quando existe uma estrada com histórico de acidentes graves e risco reconhecido, a hierarquia das prioridades devia ser evidente.

A segurança não pode nem deve competir com a conveniência.

Governar é escolher. E escolher significa colocar recursos onde o risco é maior, onde o perigo é concreto, onde a urgência não pode continuar a ser adiada.

A estrada Furnas–Povoação já percorreu um longo caminho administrativo. Já foi promessa, já foi anúncio, já foi compromisso repetido. O que falta agora não é mais um estudo nem mais uma avaliação técnica. O que falta é decisão final e obra no terreno.

Não podemos continuar a falar desta estrada apenas depois de uma derrocada ou de um acidente. Há decisões que se medem em metros de asfalto. Esta mede-se em responsabilidade política.

E a responsabilidade, quando é adiada demasiadas vezes, deixa de ser prudência. Passa a ser falha!

 

(Crónica escrita para Rádio)