Opinião

À bolina

O atual executivo aproxima-se do marco de 2 anos de governação. Meia legislatura. É, portanto, tempo de perceber o rumo anunciado como “transformista” e os seus efeitos na vida dos açorianos. 

A capacidade transformista deste governo manifestou-se logo no momento da sua formação, em que partidos que antes das eleições de 2020 não se entendiam e marcavam linhas de separação, diria até, de forma inequívoca, rapidamente aboliram as suas diferenças e juntaram esforços na formação de um governo de direita.

Quem antes caracterizava o atual presidente do governo como hipócrita, autor de “piruetas, malabarismos e contorcionismos”, rapidamente fez tábua rasa desta sua avaliação para o apoiar na formação do governo. O designado “Incinerador” passou a presidente.

Por sua vez, o atual presidente do governo regional, antes das eleições de 2020, rejeitava qualquer entendimento com a extrema-direita, afirmando que os extremos e fanatismos não se adequavam. Quero crer que continua a pensar assim, mas a vontade de formar governo foi mais forte. Engoliu em seco e apertou a mão da extrema-direita, colocando os destinos dos açorianos como moeda de troca.

Juntaram-se cinco cores aos comandos dos Açores, três delas ao leme e outras duas a manobrar as velas. Um verdadeiro exercício de equilíbrio de forças! Os Açores, a nau a ser comandada, enfrentava, e continua a enfrentar, uma verdadeira tempestade. A necessidade de garantir uma navegação assertiva e segura, audaz e capaz, fez pender sobre os responsáveis pelos destinos dos Açores uma responsabilidade enorme.

E o que temos dois anos depois? Uma nau à deriva! Um governo a navegar à bolina, ora numa ora noutra direção. Entre ventos cruzados, ameaças constantes de “puxar” a vela mais à direita, mais esquerda, a região segue sem um rumo definido e sem um destino traçado.

As políticas são desenhadas de forma avulsa, em modo de resposta às bandeiras dos partidos que formam a coligação e às ameaças dos que a suportam. Onde está uma estratégia capaz de levar os Açores a bom porto?

Onde está a estratégia para o Turismo dos Açores, capaz de conciliar as expectativas de quem nos visita com as expetativas dos residentes?

Onde está a estratégia para os Transportes, capaz de promover a coesão das nossas ilhas?

Onde está a estratégia para a Agricultura, capaz de responder às necessidades do sector e de alavancar a diferenciação dos produtos lácteos da região?

Onde está o plano regional de Saúde, com orientações e ações capazes de maximizar os ganhos em saúde, reduzindo as desigualdades?

Onde está a estratégia regional de combate à pobreza e exclusão social, capaz de enfrentar os novos desafios e dar respostas efetivas aos açorianos que, dia para dia, enfrentam dificuldades cada vez maiores?

Apenas evoco algumas das áreas da atuação governamental, mas em todas elas é legítimo questionar que rumo seguimos? A conclusão é de que estamos perante um governo incapaz de definir linhas orientadoras, metas e indicadores simplesmente porque está mais preocupado em manter-se no poder.

Andamos todos à bolina! Uma região sem direção ou rumo! Uma região à deriva e os açorianos à mercê de ventos e tempestades!