Opinião

Um em cada três

A aprovação pela Assembleia Regional de uma resolução para que o governo efetue um estudo regional sobre as toxicodependências, baseou-se na opinião consensual de que se deveria caracterizar melhor o problema nos Açores e adaptar ou reforçar politicas de combate a este problema transversal e grave em praticamente todos os países. O álcool, o tabaco, e as outras drogas psicadélicas e de alta dependência estarão incluídas neste estudo. Tarefa difícil no meu entender pela diversidade de abordagem e dos padrões de consumo, mas para isso existem Instituições com capacidade científica. No entanto a comunidade técnica e cientifica dos Açores, também analisa estes problemas em estudos integrados quer em programas de formação curricular quer em projetos de investigação; estudos estes necessariamente setoriais, mas nem por isso desnecessários. São um bom complemento e o exemplo do interesse pela abordagem e propostas de resolução dos problemas. No entanto a publicitação dos dados estatísticos na comunicação social deve merecer tratamento que não deixe dúvidas sobre a importância dos dados recolhidos, principalmente se de médias ou percentagens comparativas estivermos a falar. Quando se diz que um jovem em cada três da Escola “X” teve contacto ou consumiu substâncias ilícitas consideradas “drogas”, incluindo-se o álcool e o tabaco” e se compara esta premissa como sendo três vezes superior ao encontrado no Continente português, que deveremos concluir? Que os jovens continentais não tiveram contacto ou consumo de substâncias ilícitas, ou que somente 0,33 dos jovens em cada três o teve; ou ainda que no Continente cerca de 11% e nos Açores 33% dos jovens tiveram contato, ou consumiram drogas.? Pode ter sido tudo isso, mas a mensagem não foi explicita. Foi ou não usado um modelo idêntico de estudo? Pode-se inferir comparações ou será mais científico inferir padrão de gravidade? Sem desmérito; antes pelo contrario com incentivo para que muitos outros estudos sejam feitos para caracterizar esta “praga social” como já foi referida e que todos sabemos ser também um grande problema nosso; eu e muitos açorianos aguardam agora com impaciência os resultados deste grande estudo. Volto a alertar, tal como o fiz em plenário da ALRAA que sempre que se publicitarem dados resultantes de estudos ou outras comunicações sobre comunidades circunscritas ou indivíduos, devem ser salvaguardados princípios de confidencialidade e privacidade; e neste caso não entendi o porquê da identificação da comunidade escolar objeto do estudo. PS: Também alerto para o fato de que a mortalidade infantil se determina em permilagem dos nados vivos e que nos Açores esta taxa somente dever ter significado se comparada por períodos mais longos devido ao número anual de nascimentos nos Açores ser infelizmente pequeno, pelo que, uma única morte mais, significa quase uma variação pontual desta taxa. Enfim uma notícia alarmante pela imprecisão. Conhecidas as circunstâncias, lamentamos estas perdas, assim como qualquer notícia que deste modo denigra os Açores.