Francisco César exige esclarecimentos sobre gestão e financiamento do novo navio de investigação dos Açores

PS Açores - Há 4 horas

O líder do PS Açores e deputado à Assembleia da República, Francisco César, exigiu esclarecimentos sobre a gestão, os custos de funcionamento e a utilização do novo navio de investigação destinado à Região, alertando para a falta de planeamento de um investimento financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que deve servir prioritariamente os Açores.

À margem de uma visita ao OKEANOS – Instituto de Investigação em Ciências do Mar, Francisco César, que se fez acompanhar pelos deputados do PS que integram a Comissão de Ambiente e Energia da Assembleia da República e pelos deputados do Grupo Parlamentar do PS Açores, denunciou uma “enorme confusão” em torno do futuro funcionamento do navio.

“O novo navio foi construído com fundos do PRR para a Região Autónoma dos Açores. E deve, primeiramente, servir a Região Autónoma dos Açores, servindo também, por esse meio, o país”, afirmou.

O líder socialista apontou a ausência de respostas sobre quem ficará responsável pela gestão do navio, quanto custará a sua manutenção e de que forma poderá ser rentabilizado para suportar parte dos custos de funcionamento. Defendeu, por isso, a clarificação das responsabilidades das autoridades regionais e do papel que o Governo da República poderá assumir, através da Marinha ou de outra instituição.

“Há fundos europeus disponíveis, há fundos de Orçamento do Estado disponíveis”, assinalou, considerando que permanece “uma nebulosa do ponto de vista das respostas que as autoridades regionais devem dar”.

Para Francisco César, esta indefinição é particularmente preocupante num projeto preparado há vários anos. “Em cinco anos dá para pensar muita coisa. Não pensaram foi no destino que o navio deveria ter”, criticou.

O Presidente do PS Açores abordou também o futuro dos trabalhadores do atual navio de investigação Arquipélago, defendendo que sejam avaliadas possibilidades de reconversão para o novo navio e que exista diálogo com as entidades responsáveis pela tripulação.

“Nós não percebemos porque é que não há qualquer tipo de reconversão dos trabalhadores para o novo navio”, afirmou, sublinhando: “É a vida de pessoas, não são mercadorias. É importante que o Governo perceba isso.”

Sobre o futuro do Arquipélago, Francisco César defendeu que seja esclarecido se o navio reúne condições para continuar ao serviço durante mais alguns anos. “Se o Governo Regional não sabe o que é que há de fazer com o novo navio, é compreensível que também não saiba o que é que há de fazer com o antigo, infelizmente”, observou.

Na visita, o líder socialista manifestou ainda preocupação com o MARTEC, que classificou como “um investimento estrutural para a Região Autónoma dos Açores”, com potencial para colocar o arquipélago na vanguarda da investigação marinha, nomeadamente na aquacultura e na biotecnologia.

“Nós não percebemos ainda o modelo de funcionamento. O que sabemos é que, pelo menos, metade do investimento que está feito está paralisado”, alertou, reclamando transparência e articulação com a Universidade dos Açores, o Governo da República e os potenciais parceiros.

“Temos investimentos de milhões e milhões de euros. Isso não é compatível com o facto de nós não sabermos o que é que foi feito, o que é que estão a fazer e o que é que querem fazer com essas duas plataformas”, afirmou.

Francisco César valorizou o reconhecimento nacional e internacional do OKEANOS e o trabalho desenvolvido pelos seus investigadores, defendendo que as autoridades regionais assegurem as condições necessárias à investigação científica ligada ao mar.