Francisco César defende transporte escolar ajustado e reforço de assistentes operacionais nas escolas

PS Açores - Há 4 horas

O líder do PS/Açores, Francisco César, defendeu esta terça-feira a revisão dos horários e das paragens do transporte escolar e a adequação do número de assistentes operacionais às necessidades das escolas, denunciando falhas que prejudicam os alunos e comprometem o funcionamento dos estabelecimentos de ensino.

À margem de uma reunião com o Conselho Executivo da Escola Básica e Secundária Armando Côrtes-Rodrigues, em Vila Franca do Campo, o líder socialista exigiu ao Governo Regional que concentre a sua ação na resolução destes problemas.

Francisco César apontou o transporte escolar como uma das situações mais preocupantes identificadas na visita, explicando que o novo sistema de transporte coletivo de passageiros de São Miguel deixou os alunos desta escola sem a paragem que existia junto ao estabelecimento de ensino e com horários desajustados ao início e ao fim das aulas.

“Se as escolas começam as aulas às oito e meia, não faz sentido ter o autocarro que chega às oito e meia a um ponto de autocarros a 15 minutos daqui”, exemplificou. O resultado, alertou, é que “há crianças que chegam todos os dias atrasadas à escola porque os horários são mal pensados e com paragem longe da escola”.

As dificuldades repetem-se no regresso a casa. Segundo referiu, há autocarros a sair às 13h00 quando as aulas terminam às 13h15 e às 15h00 quando os alunos saem às 15h15, sendo que, neste último caso, a ligação seguinte apenas acontece às 17h00.

“Parece que eles têm sempre que apanhar o autocarro seguinte”, criticou, sublinhando que esta organização obriga os alunos a esperas desnecessárias e penaliza o seu dia a dia.

O Presidente do PS/Açores rejeitou que a responsabilidade seja atribuída às escolas pela alegada elaboração tardia dos horários. “O transporte escolar existe exatamente para servir as escolas e adaptar-se aos horários escolares”, vincou, exigindo que as necessidades dos alunos sejam consideradas na organização do serviço.

A insuficiência de assistentes operacionais foi outro dos problemas destacados por Francisco César, que defendeu a revisão dos rácios definidos pela Secretaria Regional da Educação, para que tenham em conta a distribuição das escolas por diferentes polos e as características dos edifícios.

“Parece-me muito estranho que as escolas estejam a funcionar sempre no limite mínimo para conseguir dar resposta do ponto de vista dos seus recursos humanos”, afirmou.

No caso da Escola Básica e Secundária Armando Côrtes-Rodrigues, referiu que o rácio prevê 44 assistentes operacionais, questionando a adequação desse número às necessidades de uma escola dividida por vários polos. Para o líder socialista, os critérios de atribuição de pessoal devem permitir assegurar o funcionamento de todos os espaços e responder às ausências de trabalhadores.

“Basta uma ou duas pessoas ficarem doentes e é necessário encerrar partes de escolas”, advertiu. “É possível arranjar um rácio de assistentes operacionais que sirva às escolas”.

Francisco César salientou que têm sido as autarquias a colmatar estas dificuldades, cedendo os seus próprios trabalhadores para garantir respostas nas escolas. Considerou que essa intervenção demonstra a atenção dos municípios aos problemas das populações, mas evidencia também a falta de resposta da administração regional.

O Presidente do PS/Açores alertou ainda para a persistência de problemas nesta infraestrutura, já identificados numa visita do Grupo Parlamentar há pouco mais de um ano, apontando a reparação de um telhado que continua sem resposta da Direção Regional da Educação.

“Parece que é muito bom estar em conferências, mas é muito difícil responder aos problemas que as pessoas têm no seu dia a dia”, criticou Francisco César, defendendo que a autonomia se traduza em soluções concretas para os alunos, as famílias e os profissionais das escolas.