O Secretariado do PS na Ribeira Grande considera que a revisão do PDM não apresenta estratégia de desenvolvimento para o futuro do concelho da Ribeira Grande, “constituindo uma oportunidade perdida para desenvolver todo o concelho.”
Segundo Fernando Monteiro, “o PDM é o documento mais importante para o desenvolvimento de um município, mas a atual revisão, que decorreu durante os últimos 13 anos e custou mais de 600 mil euros, infelizmente, fica muito aquém do que seria de esperar.”
Para o, também, Vereador do PS na autarquia, após a devida análise do documento, saltam à vista a ausência de respostas a problemas do presente: habitação, acessibilidades e captação de investimento. “A Ribeira Grande, com todo o potencial que tem, perde competitividade face aos concelhos vizinhos, Lagoa e Ponta Delgada” refere.
Fernando Monteiro aponta a falta de critério na redução de área urbana, aspeto que irá dificultar o surgimento de novos investimentos de habitação, não aproveitando zonas já infraestruturadas, que iriam permitir mais rapidamente a criação de novas urbanizações e, assim, combater a falta de habitação no concelho.
O membro do Secretariado concelhio considera, ainda, que se “percebe a necessária contenção urbana por imposição da Lei de Base dos Solos, mas não se entende, a título de exemplo, que toda a zona entre o Quartel dos Bombeiros da Ribeira Grande e a via rápida, onde surgirá o novo Centro de Saúde, não seja classificada como zona urbana, numa perspetiva de desenvolvimento assente sobre um arruamento infraestruturado. Por que razão também não estão previstos outros equipamentos, otimizando o que já existe e tirando proveito da classificação da zona?”
O PS Ribeira Grande também olha com especial preocupação para a vila de Rabo de Peixe, onde a área urbana é reduzida em cerca de 50%, alertando para o facto de aí se registarem os maiores problemas de habitação no concelho. “O que fizeram no anterior mandato para que não surja agora uma única intenção de salvaguarda de espaço para construção? Há zonas já infraestruturadas que estão classificadas como solo rústico, impedindo, assim, a sua urbanização, o que, na nossa opinião, é um erro.”
O socialista destaca, a este propósito, o facto deste PDM não apostar em ARU (Áreas de Reabilitação Urbana) em mais freguesias, “uma vez que podem ser uma medida fundamental para a resposta habitacional, através de apoios e estímulos à reabilitação de edifícios, principalmente nas freguesias onde se encontram mais edifícios abandonados”.
Relativamente ao tecido empresarial, Fernando Monteiro alerta para a ausência de estratégia de consolidação e ampliação do Parque Industrial da Ribeira Grande, o que tornaria o concelho mais atrativo e competitivo economicamente, dada a sua centralidade no contexto da ilha de São Miguel. “Não faz sentido que este PDM não prolongue o parque industrial até à rotunda que lhe dá acesso, mantendo-o limitado ao atual espaço.”
Neste tema, Fernando Monteiro aponta, também, como exemplo a ausência de uma zona industrial na zona nascente, no Burguete, tirando proveito das infraestruturas e vias já existentes e da sua localização. “Estas questões são fundamentais, pois podem contribuir para combater a desertificação da zona nascente do concelho e aproveitar a proximidade territorial ao Nordeste e Povoação”.
Fernando Monteiro conclui, afirmando que “estivemos a viver com um PDM de há 20 anos atrás; a Câmara levou 13 anos para fazer esta revisão, para poder definir que Ribeira Grande quer no futuro e o resultado fica aquém das expetativas. Infelizmente, nós, Ribeiragrandenses, da Lomba de São Pedro às Calhetas, ficamos todos a perder pela falta de ambição e de estratégia de desenvolvimento que este PDM apresenta.”