O líder do PS/Açores, Francisco César, alertou esta segunda-feira para os constrangimentos que continuam a marcar o funcionamento das escolas na Região, criticando a falta de manutenção das infraestruturas, a ausência de uma resposta para a profissionalização dos professores e a insuficiência de recursos para garantir o material escolar aos alunos.
À margem de uma visita à Escola Básica António José de Ávila, na Horta, Francisco César considerou que o ano letivo arranca de forma “coxa”, sublinhando que o funcionamento das escolas só é possível graças ao esforço dos professores, trabalhadores e conselhos executivos.
“É uma queixa recorrente nos últimos seis anos: as nossas escolas, mesmo que sejam infraestruturas recentes, não têm manutenção”, afirmou, alertando que a falta de intervenção atempada acaba por aumentar os custos. “Se uma manutenção não é feita, quer dizer que nos anos seguintes nós iremos ter que pagar mais, porque já não vamos apenas consertar, vamos ter muitas vezes que reparar e construir de novo”.
Na ocasião, o líder socialista criticou ainda os atrasos verificados em obras das escolas da Região, lembrando que há estabelecimentos com intervenções inscritas no Orçamento há cerca de seis anos sem saírem do papel. Deu como exemplo a Escola Antero de Quental, em São Miguel, e apontou o caso da Escola Básica António José de Ávila, onde “a segunda fase está para avançar há muitos anos”, mantendo os alunos sem condições adequadas no recreio e de proteção face à chuva, ao frio ou ao calor.
Francisco César alertou que estas condições têm consequências no processo educativo, sublinhando que, “por muito que os professores se esforcem” e os conselhos executivos trabalhem para ultrapassar as dificuldades, “muitas vezes não é possível que os resultados escolares melhorem da forma que nós gostaríamos”.
O Presidente do PS/A alertou, também, para a falta de estratégia relativamente à renovação do corpo docente, lembrando que “até 2030 cerca de 30% dos nossos professores vão-se aposentar”. “Neste momento não há via de profissionalização”, afirmou Francisco César, que esta semana questionou o ministro da Educação sobre a inexistência de vagas nos cursos de profissionalização, ministrados pela Universidade Aberta, para os professores dos Açores.
“Mais do que uma crítica quero dar o meu contributo”, afirmou, defendendo que, caso não exista uma resposta por parte da República, “tem de haver respostas efetivas da parte do Governo Regional”, por ser este “quem gere a educação nos Açores”.
Francisco César apontou ainda a falta de recursos financeiros das escolas para assegurar materiais básicos aos alunos, considerando “inaceitável” que sejam os pais a comprar materiais que deveriam ser disponibilizados pelas escolas, tal como não é aceitável que “ao fim de quatro ou cinco anos de implementar um sistema, os tablets nunca estejam prontos a tempo”.
Para o Presidente do PS/Açores, estes problemas revelam uma atuação demasiado reativa do Governo Regional. “Temos, sobretudo, um Governo que é passivo na sua ação, espera que os problemas aconteçam para depois os resolver”, afirmou, defendendo que o Executivo deve dotar as escolas dos recursos necessários para garantir melhores condições aos alunos e profissionais.