PS/Terceira repudia propaganda do Governo Regional sobre a situação dos cuidados de saúde na ilha Terceira

PS Açores - Há 2 horas

O Secretariado da Ilha Terceira do Partido Socialista repudia a tentativa da Secretária Regional da Saúde de transmitir uma imagem positiva da prestação de cuidados de saúde na ilha Terceira, quando a realidade vivida diariamente no Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira (HSEIT) demonstra precisamente o contrário.

É do conhecimento público o momento particularmente difícil que o HSEIT atravessa, nomeadamente devido à falta de médicos anestesiologistas. Apesar do enorme esforço e dedicação dos profissionais para assegurar a melhor resposta possível aos utentes, a insuficiência de recursos humanos tem provocado constrangimentos significativos, nomeadamente adiamentos e cancelamentos de cirurgias.

Também no Serviço de Urgência são conhecidas as dificuldades existentes. As equipas têm assegurado a resposta aos utentes em condições particularmente exigentes, enfrentando, em diversos momentos, insuficiência de recursos humanos, dificuldades na elaboração das escalas e uma enorme pressão e desgaste sobre médicos, enfermeiros e assistentes operacionais.

É particularmente preocupante o facto de terem sido apresentadas, de forma reiterada, declarações de escusa de responsabilidade por médicos e enfermeiros que asseguram o Serviço de Urgência, alertando para a ausência das condições que consideram necessárias para o exercício da sua atividade em segurança. Estes sinais não podem ser ignorados nem disfarçados através de propaganda política.

O PS/Terceira reconhece o esforço que tem vindo a ser desenvolvido pelo Conselho de Administração do HSEIT e, sobretudo, pelos seus profissionais para manter a capacidade de resposta do hospital perante estas dificuldades. Mas esse esforço não pode servir para esconder os problemas estruturais que persistem, nem para permitir que o Governo Regional apresente como normal uma situação que está longe de o ser.

É, por isso, incompreensível que a Secretaria Regional da Saúde procure transformar uma má notícia — a existência de um número recorde de doentes em lista de espera cirúrgica — numa aparente boa notícia, recorrendo ao aumento da atividade assistencial para tentar justificar ou relativizar esse resultado.

O PS/Terceira reconhece e valoriza esse aumento da atividade, que traduz, antes de mais, o enorme esforço dos profissionais de saúde. Mas não aceita que esse esforço seja utilizado pela Secretaria Regional da Saúde para esconder os resultados que verdadeiramente importam aos utentes. Em julho, 13.945 açorianos aguardavam por uma cirurgia — o número mais elevado desde que existem registos disponíveis —, mais 8,3% do que há um ano. O tempo médio de espera atingiu os 498 dias e 57,2% das cirurgias realizadas ocorreram para além do Tempo Máximo de Resposta Garantido.

No HSEIT, a situação também se agravou: 3.283 utentes aguardavam por uma cirurgia em julho, mais 8,2% do que no mesmo mês do ano anterior, existindo 250 pessoas à espera há mais de dois anos. Estes são os números que a Secretaria Regional da Saúde não pode esconder por detrás do aumento da atividade dos profissionais.

É igualmente difícil compreender a satisfação da atual Secretária Regional da Saúde quando, em 2019, enquanto deputada da oposição, classificava como uma “verdadeira calamidade” uma lista de espera cirúrgica que tinha menos cerca de 2.000 açorianos do que hoje. Agora, com quase 14 mil açorianos à espera e um tempo médio de 498 dias, o discurso mudou. Infelizmente, não mudaram para melhor os resultados — mudou apenas quem está no Governo.

O aumento da atividade dos profissionais merece ser reconhecido e valorizado. Mas não altera o facto essencial: há mais açorianos à espera de uma cirurgia e esperam mais tempo por ela. É esse o resultado que verdadeiramente importa para quem aguarda por uma resposta do Serviço Regional de Saúde.