Francisco César exige garantias para que os Açores não percam verbas nem autonomia no próximo orçamento europeu

PS Açores - Há 1 hora

O deputado do Partido Socialista Francisco César questionou o Governo da República sobre a posição que Portugal está a defender na negociação do Quadro Financeiro Plurianual da União Europeia para 2028-2034 e sobre as garantias previstas para proteger os interesses dos Açores e da Madeira enquanto Regiões Ultraperiféricas.

 

O próximo orçamento europeu pode alterar a forma como os fundos são organizados, distribuídos e geridos, nomeadamente através de uma maior concentração de instrumentos em envelopes nacionais. Para os Açores, esta mudança levanta questões importantes sobre o futuro das verbas europeias, a autonomia regional e a participação da Região nas decisões que lhe dizem respeito.

 

“Estamos numa fase muito importante da negociação do próximo orçamento europeu e há uma questão essencial para os Açores: perceber se a nova forma de organizar os fundos europeus vai proteger, ou não, os interesses da Região”, afirma Francisco César.

 

Na pergunta dirigida ao Ministro da Economia e da Coesão Territorial, o deputado socialista quer saber claramente o que o Governo português está a defender em Bruxelas e se serão garantidas verbas próprias, apoios específicos e mecanismos de proteção para os Açores enquanto Região Ultraperiférica.

 

Francisco César questiona também se os Açores terão um envelope financeiro regional próprio e protegido, se as verbas destinadas à Região poderão ser transferidas para outras prioridades nacionais e se qualquer alteração dessa natureza dependerá da participação e do acordo dos órgãos de governo próprio.

 

“Os Açores têm especificidades próprias, reconhecidas pela União Europeia, e isso tem de continuar a traduzir-se em verbas adequadas, em apoios específicos e na capacidade da Região participar nas decisões sobre os fundos que lhe dizem respeito”, sublinha.

 

O deputado pergunta ainda se o Governo já dispõe de estimativas sobre os montantes que poderão ser atribuídos aos Açores no período 2028-2034 e que participação efetiva têm tido os Governos Regionais na preparação da posição portuguesa e na negociação do futuro quadro financeiro europeu.

 

Francisco César pretende igualmente saber se Portugal defenderá a manutenção dos mecanismos específicos destinados às Regiões Ultraperiféricas, nomeadamente nos domínios da agricultura, das pescas, da cooperação territorial e da compensação dos sobrecustos associados à distância, à insularidade, aos transportes, à energia e à dimensão reduzida do mercado.

 

“Esta é uma negociação com impacto direto no futuro dos Açores. Queremos garantias claras de que a Região não perde recursos, nem autonomia, no próximo orçamento europeu”, conclui Francisco César.