Parlamento aprova proposta do PS/Açores para garantir transporte marítimo semanal de mercadorias às Flores

PS Açores - Há 2 horas

O Grupo Parlamentar do PS/Açores reivindicou, esta sexta-feira, no Parlamento açoriano, que a ilha das Flores precisa de um serviço de transporte marítimo de mercadorias mais regular e previsível, capaz de responder às necessidades das famílias, das empresas e dos setores produtivos e de contribuir efetivamente para o desenvolvimento da ilha, apresentando, para o efeito, uma proposta que recomenda ao Governo Regional a realização de, pelo menos, uma escala semanal do navio de abastecimento às Flores.

Durante o debate da iniciativa socialista, aprovada por maioria, a deputada Dora Valadão sublinhou que a atual periodicidade quinzenal continua a provocar constrangimentos com consequências concretas na vida dos florentinos e na atividade económica.

“Os florentinos precisam de viagens com previsibilidade e regularidade. Só assim podemos responder às necessidades da ilha das Flores, valorizá-la e oferecer boas condições a quem lá vive”, afirmou.

A deputada socialista chamou a atenção para os prejuízos provocados pelos atrasos frequentes no transporte de mercadorias, dando como exemplo os produtos perecíveis que, em alguns casos, chegam sem condições para consumo, ou as dificuldades sentidas por empresas e cidadãos quando outros materiais importantes não embarcam e a espera se prolonga por mais 15 dias.

“Um cidadão que precise de enviar a sua viatura para uma oficina fora da ilha arrisca-se a ficar pelo menos um mês sem carro. Quantas vezes os mecânicos têm de esperar por uma peça que foi encomendada e que não apanhou o barco? São mais 15 dias de espera”, exemplificou Dora Valadão.

A socialista destacou ainda os constrangimentos sentidos pelos setores agrícola e das pescas, nomeadamente na exportação de carne e no envio de atum, considerando que uma ligação semanal permitiria maior articulação logística, reduzir tempos de espera e evitar perdas de qualidade com impacto económico para os produtores.

“Uma viagem semanal para a ilha das Flores não é um privilégio. É uma necessidade e uma questão de igualdade de oportunidades entre os Açorianos de todas as ilhas”, frisou Dora Valadão.

Por seu turno, o deputado José Gabriel Eduardo lembrou que esta é uma reivindicação antiga da população, dos empresários, dos agricultores, dos autarcas e do Conselho de Ilha, recordando que, em setembro de 2024, o Parlamento já tinha aprovado uma iniciativa do PS/Açores para reforçar as escalas semanais do navio Margarethe.

“Uma escala quinzenal pode parecer suficiente quando é analisada num gabinete ou numa folha de cálculo, mas não é suficiente quando um comerciante vê atrasada a reposição de produtos; quando uma empresa depende da chegada de materiais para cumprir contratos; quando um agricultor espera pelo escoamento da sua produção ou quando uma falha numa viagem transforma duas semanas de espera em três ou quatro. É precisamente essa vulnerabilidade que queremos corrigir”, sublinhou.

José Gabriel Eduardo salientou que a questão “não é saber se existe abastecimento”, mas se o atual modelo responde verdadeiramente às necessidades da ilha, numa altura em que a atividade turística cresceu, o tecido empresarial se tornou mais exigente e a economia florentina depende cada vez mais da regularidade das cadeias logísticas.

“A coesão territorial mede-se também na capacidade de garantir igualdade de oportunidades às populações. Viver nas Flores não pode significar ter menos acesso a bens, menos previsibilidade económica ou mais dificuldades para desenvolver uma atividade empresarial”, defendeu.

Para o PS/Açores, a abertura de um novo concurso para o serviço de abastecimento marítimo constitui uma oportunidade para corrigir uma insuficiência há muito identificada e assegurar uma frequência semanal que reduza ruturas de stock, melhore o planeamento das empresas e dê maior segurança às famílias e aos agentes económicos da ilha.

 

Horta, 10 de junho de 2026