Ribeira Grande com a menor execução de investimento dos últimos 5 anos e execução zero em habitação, lamenta o PS

PS Açores - Há 3 dias

Os vereadores do PS na Câmara da Ribeira Grande expuseram que, em 2025, a Câmara Municipal recebeu mais dinheiro, mas foi incapaz de investir na qualidade de vida dos seus cidadãos ou de avançar com respostas estruturantes para o Concelho.

Segundo os Documentos de Prestação de Contas 2025 apresentados em reunião, e ontem votados na Assembleia Municipal, apesar do aumento das Receitas (o Estado transferiu mais de 15M€ e a autarquia cobrou mais de 7M€ em impostos e taxas aos Ribeiragrandenses), o investimento diminuiu, alcançando uma execução de 68% (Despesas de Capital), a mais baixa dos últimos 5 anos.

Para os vereadores do PS, «falhou a estratégia de investimento do Executivo do PSD, e isso pode ser verificado logo nos mapas de Execução do Plano Plurianual de Investimento (PPI): a autarquia apresentou uma taxa de execução de bens de capital de apenas 56,81%. Na prática, isto significa que quase metade do investimento estruturante prometido aos munícipes ficou no papel, não foi concretizado. Em 2025, não tivemos um plano de investimentos, mas uma listagem de intenções não cumpridas.»

Não foram, ainda, poupadas críticas à inaceitável «execução zero» em áreas tão importantes como a da Habitação: «é politicamente, mas também moralmente e eticamente grave verificar que a Habitação, uma área de investimento fundamental para a coesão social e para a qualidade de vida dos Ribeiragrandenses, tenha registado uma execução nula ou residual. Continuaram-se a pagar casas já feitas, que não deram resposta a mais ninguém, para resolver os problemas causados pela opção política do Executivo do PSD.»

Em contraponto, sobressai um saldo orçamental de mais de 9 milhões de euros a transitar para o mandato atual. Num município com tantas carências, este valor não é sinal de "boa poupança", mas sim de má gestão para os Vereadores do PS: «é dinheiro dos impostos dos munícipes que ficou retido nos bancos por incapacidade técnica e política de lançar as obras a que o Executivo se comprometeu e pelas quais os cidadãos anseiam. A frente-mar é o que se vê, a qualidade da água da praia é o que se vê, o caminho da Tondela é o que se vê, os caminhos e acessos, os espaços desportivos, a captação de água… Só conhecemos as obras pelo nome, pois nunca as vemos a arrancar.».

Os vereadores do PS reafirmaram que a Ribeira Grande foi gerida à base de fotos e de notícias de investimentos que não se concretizaram, apesar dos saldos bancários elevados, enquanto as casas não se construíram, as escolas não se repararam, as estradas se degradaram, a mobilidade não conheceu desenvolvimentos e as instituições e associações ficaram reféns de protocolos subvalorizados, acrescentando que «a pouca execução que existe foca-se em gastos correntes disfarçados de investimento, sem estruturação ou planeamento.»

Para os vereadores do PS, «a Ribeira Grande tem hoje 9,2 milhões de euros no banco que deveriam estar investidos em casas, em estradas, em transportes urbanos, em saúde, em terceira idade, em apoio social estruturado e não de emergência, em bem-estar animal, em espaços públicos convidativos, em qualidade de vida, em praias de qualidade e em promoção cultural, mas por uma clara opção política do PSD estão parados no banco. Nunca nos poderemos rever neste tipo de trabalho público, nunca poderemos votar favoravelmente estas opções políticas de claro desinvestimento, de promessas adiadas e de oportunidades perdidas.»

Os eleitos pelo Partido Socialista na Ribeira Grande, na Câmara e na Assembleia, votaram, portanto, contra estes documentos que, nas suas palavras, espelham um município estagnado, sem investimento, sem capacidade, que revelam um executivo que prometeu no orçamento, mas não cumpriu na prática.