“Há muita indefinição e falta de clareza no futuro do HDES e no modelo do Serviço Regional de Saúde”, afirma PS/Açores

PS Açores - Há 6 horas

O Grupo Parlamentar do PS/Açores alertou hoje para a persistente indefinição quanto ao futuro do Hospital do Divino Espírito Santo (HDES) e para a ausência de uma visão estratégica clara para o Serviço Regional de Saúde nos Açores, considerando que “não se pode governar por meias palavras quando está em causa a saúde dos Açorianos”.

Após reunião com o Conselho de Administração do HDES, o líder parlamentar do PS/Açores, Berto Messias, sublinhou que “continuamos sem saber quando será lançado o procedimento, se haverá um novo edifício ou a requalificação do atual, se existirá uma conjugação entre o hospital modular e o edifício principal e qual é a perspetiva de complementaridade entre os hospitais de São Miguel, da Terceira e da Horta. Tudo isto continua sem ser afirmado de forma clara, quer pela Secretária Regional da Saúde, quer pelas declarações recentes do Presidente do Governo”.

Para o PS/Açores, esta situação reflete um padrão mais amplo de governação na Região. “Como já disse, acho que hoje na Região infelizmente temos esse padrão. Tudo o que depende diretamente do Governo ou não anda ou anda muito devagarinho. Em alguns casos, estamos a falar de incompetência, noutros casos, estamos a falar de manobras dilatórias para tentar disfarçar uma situação financeira periclitante e muito constrangedora que causa grandes constrangimentos para a vida diária na nossa Região.” Por isso, reforçou “que não se deve governar assim, sobretudo quando está a falar de saúde.”

Para o dirigente socialista, esta falta de definição ultrapassa a questão infraestrutural e revela um problema político mais profundo. “Numa matéria tão séria e tão importante como é a área da saúde para todos nós, não há uma visão clara sobre aquilo que deve ser o futuro de médio prazo na nossa Região e a responsabilidade é, em primeira instância, política. Do ponto de vista político, não há aqui uma visão estratégica para a política de saúde na nossa Região”, afirmou.

Berto Messias questionou ainda a ausência de informação concreta sobre o financiamento anunciado: “Não é estranho que haja afirmação pública de que há um compromisso do Governo da República em financiar em 85% e não se saiba mais nada? Não é estranho que não haja ainda, há quase dois anos, a definição dos valores do que está envolvido, do que vai ser feito?”

O líder parlamentar revelou também que o Presidente do Governo se comprometeu a enviar ao Presidente do PS/Açores os novos planos funcionais e o relatório da comissão de análise sobre esta matéria, documentação que, até ao momento, ainda não foi remetida.

Ainda assim, Berto Messias fez questão de sublinhar que os Açorianos devem manter confiança na competência técnica dos profissionais de saúde e dos serviços prestados no hospital, rejeitando abordagens alarmistas sobre a qualidade dos cuidados.

 

Ponta Delgada, 20 de fevereiro de 2026