Francisco César desafia Governo a sair dos gabinetes e a olhar para a realidade das escolas

PS Açores - Há 8 horas

 

O presidente do PS Açores, Francisco César, acusou esta segunda-feira o Governo Regional de estar “totalmente desligado da realidade”, vivendo “fechado nos gabinetes” e governando à base da propaganda, apesar de proclamar que a Região atravessa “a melhor conjuntura económica de sempre”.

 

À margem de uma visita à Escola Secundária das Laranjeiras, em Ponta Delgada, Francisco César criticou as recentes declarações do secretário regional das Finanças, que afirmou que os Açores vivem o melhor momento económico da sua história.

 

“Ontem ouvi o secretário regional das Finanças dizer que estamos no melhor momento de sempre, com a melhor economia e as maiores receitas de sempre. É pena que, com tudo isso, este seja provavelmente o pior governo de sempre”, afirmou.

Para o líder socialista, o discurso otimista do Executivo regional não resiste ao confronto com a realidade das infraestruturas públicas, em particular das escolas. “Se temos as maiores receitas de sempre, porque é que as escolas estão muitas vezes com problemas de segurança para os alunos e professores?”, questionou.

 

Francisco César elencou vários exemplos de degradação da rede escolar, referindo problemas nas infraestruturas desportivas da escola de Rabo de Peixe, situações de segurança e de graves carências a nível infraestrutural na Ribeira Grande, dificuldades na Antero de Quental, na Escola do Fisher, na Lagoa, entre outras, e graves carências na Escola Secundária das Laranjeiras, onde existem infiltrações, problemas na rede elétrica, fugas de água e custos elevados de funcionamento. “O que parece é que as coisas ficam no papel”, criticou.

 

O presidente do PS Açores apontou ainda o falhanço do anunciado plano de manutenção das escolas, sublinhando que, no caso das Laranjeiras, está prevista apenas uma verba de 200 mil euros para intervenções, considerada manifestamente insuficiente. “Os concursos ficam desertos e o Partido Socialista propôs cerca de um milhão de euros para manutenção, mas nem isso foi aceite”, lembrou.

 

Segundo Francisco César, o problema vai muito além das escolas e traduz-se num incumprimento generalizado do Governo Regional. “Devem a toda a gente: o transporte escolar só é pago depois de reivindicações e com um ano de atraso, clubes desportivos são obrigados a cancelar jogos dos escalões de formação, empresários não recebem o que lhes foi prometido e as IPSS veem os seus contratos alterados a meio do ano”, afirmou, acrescentando que, quando os pagamentos chegam, “chegam tarde e com menos dinheiro”.

 

O socialista alertou também para a falta de assistentes operacionais nas escolas, considerando que os rácios aplicados não têm em conta a complexidade das infraestruturas.

 

Para Francisco César, a degradação dos serviços públicos tem um impacto direto no custo de vida das famílias açorianas. “Quando os serviços públicos não respondem, as pessoas são obrigadas a recorrer a soluções privadas: pagar explicações, procurar alternativas, gastar mais. Isto está a penalizar a vida das pessoas”, frisou.

 

O líder do PS Açores considerou ainda preocupante o facto de as transferências extraordinárias da República, superiores a 150 milhões de euros, serem pontuais. “O Governo comporta-se como se este dinheiro fosse permanente, quando já foi dito que é uma verba excecional. Isto mostra uma total falta de noção da realidade”, alertou.

Concluindo, Francisco César deixou um apelo direto ao Executivo regional: “O Governo tem de sair dos gabinetes, falar com as pessoas, visitar as comunidades e as infraestruturas públicas. Negar a realidade já é mau; dizer que ela é a melhor de sempre é ainda pior. Está na altura de acordarem e começarem, finalmente, a governar.”