O presidente do PS Açores, Francisco César, afirmou este sábado, em São Jorge, que os problemas no transporte de carga aérea e marítima na Região não são inevitáveis e resultam da falta de competência, organização e de um modelo de transportes ultrapassado, acusando o Governo Regional de ter perdido a credibilidade por estar exclusivamente focado na situação “de calamidade” das contas públicas.
À margem de uma visita ao hipermercado Compre Bem, Francisco César defendeu que “não é aceitável tratar como uma fatalidade aquilo que pode ser resolvido”, sublinhando que as dificuldades no transporte de bens penalizam diariamente as famílias e as empresas, agravando o custo de vida nos Açores.
“O atraso sistemático da carga marítima, os elevados custos e os problemas constantes na carga aérea não são inevitáveis. São consequência de más opções políticas, de falta de organização e da manutenção de um modelo de transporte marítimo de carga que não funciona e que não é revisto há mais de 20 anos”, afirmou.
O líder socialista apontou como solução a introdução de dois cargueiros aéreos: um para o Interilhas, promessa que acusa o Governo de ter abandonado, e outro para assegurar o transporte aéreo de carga entre os Açores e o continente. “Com dois cargueiros aéreos e com uma alteração séria do modelo de transporte marítimo de carga, era possível reduzir custos, aumentar a previsibilidade e aliviar diretamente o custo de vida das pessoas”, defendeu.
Francisco César considerou que o Governo Regional “não governa”, por estar apenas concentrado em gerir a crise financeira. “Este é um Governo absorvido pela situação de calamidade das contas públicas, que não resolve problemas, que adia decisões e que perdeu a credibilidade junto dos açorianos”, afirmou.
Segundo o Presidente do PS Açores, a falta de foco político tem impactos concretos no quotidiano. “Enquanto o Governo se limita a apagar fogos financeiros, as famílias pagam mais no supermercado e as empresas acumulam custos que comprometem a sua atividade”, disse.
Francisco César sustentou ainda que as soluções propostas são financeiramente comportáveis, acusando o executivo de falta de prioridade e visão estratégica. “No meio de tantos milhões, era possível reservar um ou dois milhões para garantir um cargueiro aéreo. O que falta não é dinheiro, é organização, competência e vontade política”, afirmou.
O líder dos socialistas açorianos concluiu defendendo que reduzir o custo de vida devia ser uma prioridade central da governação. “Aceitar estes problemas como um destino inevitável é desistir de governar. Há alternativas, há soluções e elas passam por mudar modelos, gerir melhor e devolver credibilidade à ação governativa”, concluiu.